Cientistas descobrem célula que permite que cobras pítons “derretam” ossos
Cientistas descobriram um novo tipo de célula que permite que cobras pítons consigam digerir os ossos de suas presas e adicionar cálcio como nutriente em suas dietas.
Em um estudo publicado no final de junho, os cientistas da Universidade de Montpellier, na França, estudaram o sistema digestivo da píton birmanesa (Python bivittatus) para descobrir como essas cobras conseguem digerir ossos.
A píton birmanesa é uma espécie de cobra que cresce em até seis metros de comprimento, precisando de grandes “alimentos” para se nutrir. Suas presas incluem gados e essas comem todo o animal engolindo de uma só vez.
Desse modo, os cientistas decidiram investigar como funciona o processo de digestão de presas que possuem músculos, órgãos e esqueletos inteiros.
A descoberta foi um tipo especial de célula, mais estreita que as comumente encontradas em sistemas digestivos, que permitem que essas cobras pítons façam a digestão por vários dias.
Além disso, as células agem como um mecanismo de proteção para não exagerar na absorção de cálcio, que pode afetar a circulação sanguínea.
“Queríamos identificar como essas cobras conseguiam processar e limitar essa enorme absorção de cálcio através de suas paredes intestinais”, afirmou o coautor do estudo, Jehan-Hervé Lignot.
Como a célula age no intestino das cobras pítons para digestão de ossos
Lingnot e seus colegas alimentaram as cobras com três dietas, incluindo a presa inteira, sem ossos, e também sem ossos, mas com adição de cálcio. Assim, os cientistas descobriram o novo tipo de célula na mucosa do intestino delgado das cobras pítons que permite o processamento de cálcio.
No experimento, as cobras que receberam presas inteiras ou com adição de cálcio, os cientistas observaram partículas ricas em cálcio, ferro e fósforo na nova célula. Tais partículas não estavam presentes em cobras que comeram presas sem ossos.
Para os cientistas, o novo tipo de célula é responsável por regular o excesso de cálcio ao concentrá-lo nessas partículas de minerais. As partículas e o excesso de cálcio são expelidos durante a evacuação.
O mecanismo de interação entre essas partículas possibilitaria às cobras absorverem a quantidade essencial de cálcio.
Além disso, o novo tipo de célula que os cientistas identificaram nas cobras pítons birmanesas também existe em outras espécies. Contudo, os cientistas só identificaram adaptações similares para regulação de ingestão de cálcio nesta espécie de cobras pítons, descartando a ação da célula em outros animais que devoram presas com ossos.
“Predadores marinhos que comem peixes ou mamíferos aquáticos com ossos devem enfrentar o mesmo problema [de digestão de cálcio], assim como pássaros”, ressalta Lignot.
