Galáxias famosas escondem monstro cósmico
As Galáxias Antenas podem esconder um buraco negro supermassivo, apesar de parecerem dominadas por formação de estrelas. A equipe liderada por Shinya Komugi, da Universidade Kogakuin, no Japão, descreve uma fonte compacta que variou em 13 dias dentro de NGC 4039.
Por que isso importa
As Galáxias Antenas (catalogadas como NGC 4038/4039), ficam a cerca de 70 milhões de anos-luz da Terra. Elas formam o exemplo mais próximo de duas galáxias ricas em gás em fusão.
A colisão arrancou caudas de estrelas, gás e poeira, que deram ao sistema o apelido de Antenas. O encontro disparou uma das formações estelares mais intensas do universo local.
Até agora, os astrônomos enxergavam o sistema como um laboratório de nascimento de estrelas. A nova análise sugere outro processo. Um buraco negro central pode já estar se alimentando, escondido por gás e poeira.
O sinal apareceu em ondas milimétricas
De acordo com o estudo disponível no arXiv, a equipe usou o observatório ALMA, no Chile, para observar as Galáxias Antenas em 100 gigahertz. Os astrônomos repetiram as medições 52 vezes ao longo de cerca de 2,5 meses.
A estratégia buscou mudanças de fluxo, uma cintilação em ondas milimétricas. Essa variação ajuda a medir o tamanho da região emissora.
Se uma fonte muda de brilho em 13 dias, a região que produz esse sinal não pode ter mais que 13 dias-luz.
S4 virou o principal suspeito
As observações destacaram duas fontes compactas perto do núcleo de NGC 4039, chamadas S3 e S4. S3 parece levemente estendida e não variou.
A equipe considera que S3 pode vir de um jovem aglomerado massivo de estrelas. Uma origem ligada a um núcleo galáctico ativo segue possível.
S4 chama mais atenção. Sua variação em 13 dias limita a região emissora a menos de 0,01 parsec. Esse tamanho não combina bem com formação estelar, nuvem de poeira ou remanescente de supernova.

Um núcleo escondido por poeira
A temperatura de brilho de S4 passa de 1 milhão de kelvin. Processos térmicos ligados à formação de estrelas não costumam alcançar esse patamar.
O dado aponta para emissão não térmica, compatível com atividade energética perto de um buraco negro supermassivo. A escala corresponde ao raio de Schwarzschild de um buraco negro com 10 milhões de massas solares.
S3 e S4 não aparecem em raios X duros. A explicação proposta envolve um núcleo Compton espesso, cercado por gás e poeira que bloqueiam raios X de alta energia.
“Nossas observações podem indicar que já existe um AGN [Núcleo Galáctico Ativo] obscurecido em uma galáxia interativa de fase inicial”, escreveram os pesquisadores ao Phys.
O que falta confirmar
A equipe pede novas observações em uma faixa maior de frequências. Os telescópios espaciais James Webb e NuSTAR podem testar se S4 marca um buraco negro escondido.
