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Beija-flores ficam bêbados?

Estudo mostra que beija-flores consomem pequenas quantidades de álcool no néctar e preferem níveis muito baixos da substância.
Imagem: Pexels/Reprodução

Beija-flores entraram para uma lista curiosa de animais que consomem álcool na natureza, mas de um jeito bem diferente do imaginário popular. Um estudo publicado na revista Royal Society Open Science identificou que essas aves bebem néctar com pequenas quantidades de etanol, produzido naturalmente por fermentação, e ainda mostrou que elas parecem preferir níveis muito baixos da substância.

A descoberta chama atenção porque o beija-flor vive em um limite energético extremo. Ele precisa consumir grandes quantidades de alimento para manter o corpo funcionando e, nesse processo, até traços de álcool podem se tornar parte da rotina.

O álcool já estava nas flores

O ponto de partida da pesquisa é simples: algumas flores podem conter pequenas quantidades de etanol no néctar por causa da fermentação. Não se trata de um volume alto, mas o suficiente para indicar que certos animais entram em contato com álcool de forma natural e recorrente.

No caso dos beija-flores-de-anna, os cientistas observaram que as aves mostraram preferência por néctar com teor alcoólico muito baixo, abaixo de 1%. Quando a concentração subia, o interesse caía. Em outras palavras, elas aceitam um “traço” de álcool, mas rejeitam algo mais forte.

Como os cientistas confirmaram isso

Os pesquisadores não ficaram apenas na observação do comportamento alimentar. Eles também analisaram penas dos animais e encontraram etilglicuronídeo, um subproduto do metabolismo do etanol.

Isso é importante porque funciona como uma pista bioquímica de que o álcool realmente passou pelo organismo das aves. Na prática, o corpo do beija-flor processa etanol de modo comparável ao humano, ainda que em outra escala e dentro de uma lógica biológica muito diferente.

Pequeno no tamanho, enorme no consumo

O dado mais impressionante da história está na quantidade de néctar ingerida. Beija-flores podem consumir, em um único dia, um volume equivalente ao próprio peso corporal e, em alguns casos, até mais do que isso.

Esse número ajuda a entender por que até concentrações mínimas de álcool merecem atenção. Pelas estimativas do estudo, a ingestão proporcional diária de álcool dessas aves seria parecida com a de um ser humano que bebe uma cerveja pequena por dia.

A diferença central é o contexto. Para o beija-flor, o néctar não é lazer nem escolha social. É combustível imediato. Seu organismo queima calorias quase sem parar para sustentar o voo e a sobrevivência.

O que ainda falta descobrir

Apesar da descoberta, a pesquisa não conclui se essas pequenas doses de álcool alteram o comportamento ou a biologia dos beija-flores. Esse é justamente o ponto que permanece em aberto.

Os autores suspeitam que possam existir custos ou até benefícios associados a esse consumo, mas afirmam que serão necessários mais estudos para determinar quais são esses efeitos. Por enquanto, o retrato mais confiável é este: beija-flores bebem álcool naturalmente, em doses baixas, e parecem saber bem onde está o limite.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.