Alemanha quer usar IA para acelerar decisões de guerra
As Forças Armadas alemãs vão incorporar inteligência artificial em suas operações militares. O diretor de armamentos da Alemanha, Christian Freuding, fez o anúncio. A tecnologia usará dados dos quatro anos de guerra na Ucrânia.
O sistema de IA funcionará como ferramenta de assessoria para comandantes militares, de acordo com a Reuters. As Forças Armadas alemãs consideram a implementação prioritária.
A Alemanha quer usar as informações coletadas na Ucrânia para treinar a inteligência artificial. Os dados também incluem informações de exercícios militares realizados na Alemanha.
“Os ucranianos exploram dados que coletaram ao longo de quatro anos de guerra. Com base nesses dados, a IA pode deduzir como o inimigo agiu em situações semelhantes no passado, e recomendar contramedidas”, explicou Freuding.
O país quer criar ferramentas analíticas capazes de processar grandes volumes de informações de forma acelerada. Aliás, a tecnologia fornecerá recomendações estratégicas aos comandantes militares.
Tarefas que atualmente requerem centenas de funcionários e dias para serem completadas poderão ser aceleradas significativamente através da IA. Segundo Freuding, métodos convencionais sozinhos nunca seriam suficientes para quebrar o ciclo de tomada de decisão do adversário.
Freuding enfatizou que a inteligência artificial servirá apenas como ferramenta de assessoria. “A tarefa de tomar decisões analíticas e equilibradas sempre permanecerá com o humano, com o soldado”, afirmou.
A iniciativa envolve as Forças Armadas alemãs sob a direção de Freuding. Os dados utilizados para treinar os sistemas provêm das forças ucranianas.
IA Maven
O Exército dos Estados Unidos já utiliza a ferramenta de IA Maven. A empresa do Vale do Silício Palantir desenvolveu a tecnologia para processar dados de campo de batalha, incluindo imagens e vídeos.
A Alemanha ainda não selecionou um produto específico de inteligência artificial. Isso porque o país avaliará tanto sistemas desenvolvidos na Europa quanto soluções norteamericanas.
“Pessoalmente, acho importante que coloquemos algo em funcionamento rapidamente. É claro que questões como soberania e segurança de dados precisam ser levadas em consideração”, declarou Freuding.
Além disso, a Alemanha buscará alinhar seus sistemas de IA com os padrões em evolução da OTAN. O país treinará ferramentas analíticas a fim de garantir alinhamento com os princípios operacionais da Alemanha.
Soluções dos EUA podem oferecer vantagens práticas devido ao seu estágio avançado de implementação. Contudo, questões relacionadas à soberania e segurança de dados serão consideradas no processo de seleção.
Porém, o cronograma exato para a implementação completa da tecnologia não foi divulgado.
