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Ultraprocessados podem elevar o risco de infarto e AVC

Estudo estabelece conexão direta entre alimentos industrializados e problemas cardíacos como ataques e derrames.
Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

Adultos que consomem maiores quantidades de alimentos ultraprocessados (UPFs) apresentam risco 47% mais elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames. Pesquisadores do Schmidt College of Medicine da Universidade da Flórida Atlântica (FAU), nos EUA, divulgaram o estudo. A pesquisa analisou dados de saúde de 4.787 adultos nos Estados Unidos, estabelecendo uma conexão direta entre o consumo desses alimentos e problemas cardíacos.

O estudo, publicado no The American Journal of Medicine, utilizou informações do Estudo Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos (NHANES) coletadas entre 2021 e 2023. Os cientistas examinaram registros alimentares detalhados dos participantes para calcular a porcentagem de calorias provenientes de ultraprocessados na dieta de cada pessoa.

De acordo com o ScienceDaily, este estudo representa um avanço significativo na compreensão da relação entre alimentação moderna e saúde cardiovascular.

Metodologia e resultados do estudo

Os participantes da pesquisa, todos com 18 anos ou mais, forneceram pelo menos um dia de registros alimentares detalhados e informações sobre ocorrências prévias de ataques cardíacos ou derrames. Durante dois dias, eles documentaram tudo o que consumiram, permitindo aos pesquisadores calcular a proporção de calorias provenientes de ultraprocessados em suas dietas.

O grupo estudado tinha idade média de 55 anos, sendo composto por 55,9% de mulheres. Após ajustes para fatores como idade, tabagismo e renda, os dados revelaram a diferença significativa de 47% no risco cardiovascular entre os grupos de maior e menor consumo de ultraprocessados.

“Os resultados do nosso estudo, baseados em uma grande amostra nacionalmente representativa de 4.787 adultos dos EUA, mostram que aqueles com maior consumo de UPFs sofrem um risco 47% maior de doenças cardiovasculares, estatisticamente significativo e clinicamente importante,” afirmou Charles H. Hennekens, autor sênior do estudo. “Esses resultados têm grandes implicações para pesquisas futuras, bem como para cuidados clínicos e políticas públicas.”

Relevância para a saúde pública

A investigação ganha importância considerando que os alimentos ultraprocessados representam atualmente cerca de 60% da dieta média de adultos dos EUA. Além de aproximadamente 70% da alimentação infantil no país. Pesquisas anteriores já haviam associado o alto consumo desses produtos à síndrome metabólica. Incluindo, por exemplo, sobrepeso, obesidade, pressão alta, níveis anormais de colesterol e resistência à insulina.

O trabalho foi conduzido nos Estados Unidos, onde as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte, assim como em todo o mundo. A compreensão dessa conexão pode influenciar recomendações médicas e políticas de saúde pública em diversos países.

“Abordar os UPFs não é apenas sobre escolhas individuais . Trata-se de criar ambientes onde a opção saudável seja a opção fácil,” acrescentou Hennekens. “Orientação clínica e educação em saúde pública são necessárias para tornar alimentos nutritivos acessíveis e econômicos para todos.”

Características dos alimentos ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados são caracterizados como produtos industriais altamente modificados que contêm gorduras, açúcares, amidos, sais e aditivos químicos adicionados, como emulsificantes. Exemplos comuns incluem refrigerantes, lanches embalados e carnes processadas. Durante o processo de fabricação, muitos nutrientes naturais são removidos, resultando em alimentos muito diferentes de sua forma original.

A análise estatística demonstrou uma associação significativa entre o consumo elevado de UPFs e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, mesmo após considerar variáveis como idade, tabagismo e renda. Estudos anteriores também vincularam o alto consumo desses alimentos a níveis elevados de proteína C-reativa de alta sensibilidade, um marcador de inflamação considerado forte preditor de futuras doenças cardiovasculares.

O estudo não especifica quais aspectos dos alimentos ultraprocessados são mais prejudiciais ou quais mecanismos específicos causam o aumento do risco cardiovascular. Essa limitação indica a necessidade de pesquisas adicionais para esclarecer os mecanismos exatos pelos quais esses alimentos afetam a saúde cardiovascular.

A Dra. Allison H. Ferris, FACP, coautora do estudo, também comentou sobre os resultados: “O consumo crescente de UPFs pode ser um fator contribuinte. Junto com outras influências dietéticas e de estilo de vida que afetam uma série de doenças gastrointestinais comuns e graves. A conscientização é o primeiro passo para a prevenção.”

Além disso, especialistas envolvidos na pesquisa sugerem que a redução do consumo de alimentos ultraprocessados pode se tornar tão importante para a saúde pública quanto a diminuição do tabagismo foi no passado. Os resultados obtidos podem influenciar futuras diretrizes nutricionais e políticas de saúde em diversos países.

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