Ultraprocessado saudável existe? Nova pesquisa afirma que sim
Os alimentos ultraprocessados têm fama de fazerem mal à saúde — e até levarem pessoas à morte –, mas uma nova pesquisa está desafiando esta ideia. Supostamente, alguns alimentos ultraprocessados poderiam ser benéficos se considerado o contexto alimentar.
Isso porque, diferente de lanches e refrigerantes, por exemplo, produtos como cereais integrais e laticínios podem ter efeitos neutros ou até positivos. Ou seja, alguns alimentos podem oferecer valor nutricional real e se encaixar em uma dieta saudável.
De acordo com o autor da pesquisa, Jimmy Louie, as implicações dos alimentos para a saúde dependem de seu consumo dentro dos padrões alimentares gerais. Além disso, o medo dos ultraprocessados pode desviar a atenção dos riscos alimentares mais urgentes. Por exemplo, nem todas as pessoas conseguem viver apenas com alimentos minimamente processados.
Sendo assim, os processados nutricionalmente saudáveis podem ser uma escolha saudável e prática. Os ultraprocessados também são, por exemplo, uma fonte de proteína comum na alimentação de vegetarianos estritos.
“Produtos ultraprocessados geralmente fornecem fontes econômicas de nutrientes essenciais para populações economicamente desfavorecidas e podem contribuir para a redução do desperdício de alimentos por meio de maior prazo de validade”, disse.
O autor analisou e criticou o sistema Nova, que classifica os alimentos em quatro grupos com base no seu nível de processamento. Ele vai de itens frescos ou minimamente processados até produtos ultraprocessados.
Apesar de amplamente utilizado, o sistema é controverso devido à forma como rotula os grupos alimentares. Por essa razão, Louie pede por um novo sistema que considere tanto o processamento quanto a nutrição, para fornecer uma orientação mais clara e justa.
“Embora a classificação de alimentos com base no processamento tenha feito contribuições valiosas para nossa compreensão da saúde, ela não consegue capturar distinções importantes na qualidade nutricional, métodos de processamento e implicações para a saúde”, apontou.
