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Descoberta: primeiros habitantes da Groenlândia chegaram por mar há 4.500 anos

Pesquisadores encontraram 300 vestígios arqueológicos que comprovam jornada marítima planejada, a mais longa conhecida no Ártico naquele período.
Imagem: Freepik/Reprodução

Pesquisadores identificaram que os primeiros habitantes do Ártico realizaram travessias marítimas planejadas para alcançar as ilhas Kitsissut, no extremo norte da Groenlândia, há cerca de 4.500 anos.

A descoberta foi feita por uma equipe das Universidade de Calgary, no Canadá, e da Universidade da Groenlândia, que documentou aproximadamente 300 vestígios arqueológicos na região de Pikialasorsuaq.

Esta travessia de 50 quilômetros em mar aberto representa a mais longa jornada marítima conhecida deste período em todo o Ártico.

Ocupação sistemática e não apenas explorações isoladas

As evidências arqueológicas demonstram que os grupos paleo-esquimós iniciais estabeleceram um padrão regular de deslocamento para a região, não se limitando a explorações pontuais. De acordo com o Archaeology News, entre os achados estão círculos de tendas, lareiras e áreas de trabalho vinculadas às ocupações destes primeiros habitantes. Veja:

“As datações por radiocarbono indicam que estas visitas ocorreram logo após o recuo das geleiras regionais, em um período em que os ecossistemas terrestres do Ártico conectados à polinia ainda estavam em formação”, explicou a equipe de pesquisa. A polinia é uma área de água do mar aberta, não congelada, rodeada por gelo marinho compacto ou gelo fixo, comum tanto no Ártico quanto na Antártida.

Desafios da navegação no Alto Ártico

Para realizar a travessia marítima de 50 quilômetros, os paleo-esquimós precisavam de embarcações com estrutura de pele e conhecimento aprofundado sobre correntes marítimas. Além disso, o planejamento das viagens considerava condições climáticas específicas e a formação sazonal de gelo na região.

Os registros arqueológicos revelam que famílias inteiras, junto com seus suprimentos, atravessavam águas abertas para alcançar as ilhas. O principal atrativo eram as colônias de aves marinhas e mamíferos concentrados ao redor da polinia Pikialasorsuaq, uma extensa área onde a água permanece descongelada durante todo o ano entre a Groenlândia e o Canadá.

Impacto humano nos ecossistemas árticos

As atividades dos grupos paleo-esquimós nas ilhas Kitsissut incluíam caça, esquartejamento e processamento de alimentos. Estas práticas transferiam grandes quantidades de nutrientes de origem marinha para a terra, modificando gradualmente o ambiente local.

“O enriquecimento do solo ao redor das áreas habitadas espelha efeitos observados próximos a locais de nidificação de aves marinhas”, afirmou a equipe de pesquisadores.

Com o passar do tempo, os acampamentos tornaram-se pontos estáveis na paisagem do Alto Ártico, onde o crescimento da vegetação e a atividade animal respondiam à presença humana repetida ao longo de gerações.

Questões ainda sem resposta

Apesar dos avanços na compreensão destas antigas travessias, ainda existem lacunas no conhecimento. Os pesquisadores não sabem exatamente como estes grupos primitivos navegavam com precisão ou quais técnicas específicas utilizavam para prever condições climáticas. Também permanecem dúvidas sobre a frequência exata das travessias e os métodos de comunicação entre grupos dispersos.

Assim, a partir destes achados, os cientistas continuarão investigando como estas primeiras comunidades influenciaram o desenvolvimento dos ecossistemas árticos. Além disso, o estudo reposiciona o papel da polinia Pikialasorsuaq na história cultural da região. Sugerindo que, em vez de uma rota marginal entre áreas povoadas, a região funcionava como um centro onde estratégias tecnológicas e comportamentais tomavam forma.

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