“Slop” é eleita palavra do ano e expõe tendência incômoda da era digital
O dicionário Merriam-Webster selecionou “slop” como a palavra do ano de 2025, termo que identifica conteúdo digital de baixa qualidade produzido em massa por inteligência artificial. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (15) nos Estados Unidos, evidenciando a preocupação crescente com a disseminação de material gerado por IA nas plataformas digitais e seus efeitos na qualidade informacional da internet.
Originário do século XVIII, quando designava lama viscosa, o termo “slop” expandiu seu significado ao longo do tempo. Atualmente, caracteriza diversos tipos de conteúdo digital considerados de qualidade inferior criados com auxílio de IA, desde vídeos absurdos e imagens promocionais estranhas até propaganda barata, notícias falsas com aparência autêntica e livros digitais questionáveis.
A evolução do termo e seu contexto atual
A escolha da palavra está diretamente associada às mudanças que plataformas de IA como Sora, da OpenAI, e Veo, do Google Gemini, causaram no ambiente digital durante 2025. Ao longo do ano, profissionais e analistas examinaram como essas tecnologias transformaram a produção de variados tipos de conteúdo, incluindo livros, podcasts, música pop e filmes gerados por inteligência artificial.
O fenômeno do “slop” impacta principalmente usuários da internet e consumidores de conteúdo digital, que encontram com frequência crescente material gerado por IA em suas interações online. No entanto, os efeitos se estendem além do conteúdo de mídia, alcançando áreas como cibersegurança, documentos jurídicos e trabalhos acadêmicos.
Impacto global e buscas crescentes
Embora a decisão da Merriam-Webster tenha sido tomada nos Estados Unidos, o fenômeno possui alcance mundial. Uma pesquisa conduzida em maio revelou que aproximadamente três quartos do novo conteúdo web produzido no mês anterior apresentavam indícios de utilização de inteligência artificial.
O aumento nas buscas pelo termo “slop” demonstra uma conscientização crescente sobre conteúdos de baixa qualidade ou desinformativos, além do interesse em evitá-los. Em resposta a essa tendência, desenvolveu-se a chamada “economia do slop”, a monetização do excesso de conteúdo gerado por IA através de publicidade.
Especialistas alertam que essa tendência pode intensificar a divisão digital entre pessoas com acesso a conteúdo pago de maior qualidade e aquelas que consomem predominantemente conteúdo de baixa qualidade. Não existem informações sobre como as plataformas digitais responderão a longo prazo a essa proliferação de conteúdo gerado por IA.
Outras palavras do ano e declarações oficiais
Desde 2003, o dicionário Merriam-Webster seleciona anualmente uma palavra que reflete e explica o momento atual. Outras instituições também escolheram suas palavras do ano relacionadas ao tema. O Dicionário Macquarie antecipou-se à Merriam-Webster com o termo “AI slop”, enquanto o Dicionário Oxford selecionou “ragebait” e o Dicionário Collins optou por “vibe coding”.
Greg Barlow, presidente da Merriam-Webster, explicou a escolha em declaração à Associated Press: “Esta é uma palavra incrivelmente ilustrativa. Faz parte da tecnologia transformadora, a IA, e é algo que as pessoas acham fascinante, frustrante e um pouco engraçado.”
Em outra declaração, Barlow comentou sobre a natureza do termo. “Como lama, lodo e sujeira, ‘slop’ tem um som úmido para algo que você não quer tocar. O ‘slop’ se infiltra em tudo.” Ele também acrescentou: “É quase uma palavra rebelde quando se trata de inteligência artificial. Quando se trata de substituir a criatividade humana, a IA às vezes não parece tão inteligente.”
