Probiótico pode ajudar corpo a eliminar microplásticos, diz estudo
Cientistas sul-coreanos do World Institute of Kimchi (WiKim) descobriram que uma bactéria probiótica isolada do kimchi pode ajudar o corpo humano a expelir nanoplásticos. A equipe, liderada pelos doutores Dr. Se Hee Lee e Dr. Tae Woong Whon, identificou que a cepa Leuconostoc mesenteroides CBA3656 atua ligando-se a essas partículas no intestino, facilitando sua remoção através dos resíduos corporais. A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista acadêmica internacional Bioresource Technology.
O anúncio oficial dos resultados ocorreu em 11 de março de 2026, pelo WiKim, uma instituição de pesquisa financiada pelo governo sob o Ministério da Ciência e TIC da Coreia do Sul. O estudo foca na biossorção, um processo em que a bactéria funciona como um “velcro biológico” ou esponja, prendendo nanoplásticos de poliestireno (PS-NPs) em suas paredes celulares. O objetivo central é reduzir o acúmulo dessas partículas no sistema digestivo, abordando uma preocupação crescente de saúde pública.
Os nanoplásticos são definidos como partículas de plástico extremamente pequenas, medindo menos de 1 micrômetro (µm). Devido ao seu tamanho minúsculo, pesquisadores temem que essas partículas possam atravessar a barreira intestinal. A exploração de métodos biológicos para mitigar esse acúmulo no trato digestivo é uma das prioridades do setor diante da degradação de materiais plásticos que acabam inseridos na cadeia alimentar e na água potável.
Eficácia da bactéria do kimchi em condições intestinais
Durante a fase laboratorial, os pesquisadores compararam a Leuconostoc mesenteroides CBA3656 com uma cepa de referência, a Latilactobacillus sakei CBA3608. Em condições padrão de laboratório, ambas apresentaram resultados similares. No entanto, a superioridade da bactéria derivada do kimchi tornou-se evidente quando os cientistas simularam o ambiente do intestino humano, onde fatores como acidez e enzimas alteram a eficácia dos microrganismos.
Os dados mostram que a cepa CBA3656 manteve uma capacidade de adesão significativa mesmo sob estresse, enquanto a cepa de referência perdeu quase toda a sua funcionalidade. Esse desempenho sugere que o probiótico do kimchi pode continuar a se ligar aos nanoplásticos de forma eficaz durante o processo de digestão humana. Este fator é crucial para garantir que o plástico seja transportado para fora do organismo em vez de permanecer no sistema.
| Cepa Bacteriana (Probiótico) | Eficiência de Adsorção (Laboratório) | Eficiência de Adsorção (Simulação Intestinal) |
|---|---|---|
| Leuconostoc mesenteroides CBA3656 | 87% | 57% |
| Latilactobacillus sakei CBA3608 (Referência) | 85% | 3% |
Estudo com camundongos confirma aumento na excreção
A pesquisa avançou para testes in vivo com camundongos machos e fêmeas livres de germes. Os animais que foram tratados com a Leuconostoc mesenteroides CBA3656 apresentaram resultados expressivos. De acordo com os dados divulgados pelo WiKim, esses camundongos mostraram mais do que o dobro da quantidade de nanoplásticos em suas fezes em comparação com o grupo de animais que não recebeu o probiótico.
Hae Choon Chang, presidente do World Institute of Kimchi, ressaltou a relevância dos achados para a saúde pública. A pesquisa indica que microrganismos de alimentos fermentados tradicionais podem oferecer uma nova abordagem biológica para enfrentar a poluição plástica. O foco agora volta-se para como esses recursos microbianos podem ser aplicados em soluções ambientais e de saúde mais amplas no futuro.
Dr. Se Hee Lee, pesquisadora principal do estudo, afirmou que as descobertas valorizam o patrimônio científico das bactérias do kimchi. Ao promover a excreção das partículas, o probiótico impede que os nanoplásticos permaneçam no intestino por longos períodos. O estudo reforça a ideia de que a interação entre microrganismos e poluentes ambientais dentro do corpo é uma área vital de investigação científica contemporânea.
FAQ
O que são nanoplásticos e por que o estudo os foca?
Nanoplásticos são partículas plásticas menores que 1 micrômetro que resultam da quebra de plásticos maiores. O estudo foca neles porque seu tamanho reduzido pode permitir que atravessem a barreira intestinal, tornando o acúmulo no sistema digestivo uma preocupação de saúde ambiental e pública.
Como a bactéria do kimchi consegue remover o plástico?
A bactéria Leuconostoc mesenteroides CBA3656 utiliza um processo chamado biossorção. Ela atua como um “velcro” em suas paredes celulares, prendendo as partículas de nanoplástico de poliestireno e impedindo que fiquem livres no intestino, o que facilita a sua eliminação através das fezes.
Qual foi a diferença de eficácia nos testes intestinais?
Em testes que simularam o intestino humano, a bactéria do kimchi (CBA3656) manteve uma eficiência de 57% na captura de plásticos. Em contraste, a cepa de referência Latilactobacillus sakei CBA3608 viu sua eficácia cair para apenas 3% nas mesmas condições simuladas.
