2023 © Copyright 404 - Todos os direitos reservados

A luz da cidade está mudando a vida dos insetos

Pesquisa analisou 800 insetos de 23 espécies e constatou que iluminação similar à de postes afeta comportamento noturno.
Imagem: Pexel/Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, capturaram mais de 800 mariposas de 23 espécies diferentes para analisar como a iluminação artificial afeta seu comportamento. A pesquisa demonstrou que a poluição luminosa de cidades diminui significativamente a atividade desses insetos noturnos. O periódico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences publicou o estudo.

Os cientistas observaram que mariposas expostas a iluminação de 10 lux (intensidade similar à encontrada próxima a postes de luz residenciais) apresentaram redução de 85% em seus movimentos quando comparadas àquelas em ambientes noturnos naturais. De acordo com o Phys, esta descoberta levanta preocupações significativas sobre o impacto da poluição luminosa nos ecossistemas noturnos.

Para realizar o experimento, os pesquisadores coletaram os insetos utilizando armadilhas de luz e redes de borboletas nos terrenos do campus. Assim, cada mariposa foi colocada individualmente em recipientes sob diferentes condições de iluminação. Posteriormente, os cientistas filmaram elas durante a noite para documentar seus padrões de movimento.

Diferentes tipos de iluminação causam impactos semelhantes

Um dado importante revelado pela pesquisa é que a iluminação âmbar, geralmente considerada menos nociva aos insetos, provocou a mesma redução na movimentação das mariposas que os LEDs brancos convencionais, quando ambos estavam na intensidade de 10 lux.

“Nossos resultados sugerem que a poluição luminosa tem efeitos generalizados sobre a atividade noturna das mariposas, independentemente do tipo de iluminação”, declarou a Dra. Emmanuelle Briolat, do Centro de Ecologia e Conservação do Campus Penryn de Exeter.

“Isso poderia ter importantes efeitos em cascata para as populações de mariposas e os ‘serviços ecossistêmicos’ que elas fornecem; as mariposas são polinizadoras importantes e uma fonte alimentar fundamental para muitas outras espécies, de aves a morcegos”, afirmou a pesquisadora.

Sensibilidade à luz varia entre espécies

O estudo identificou que algumas espécies de mariposas foram afetadas por iluminação LED branca mesmo em níveis muito baixos, de apenas 0,1 lux. Esta intensidade equivale ao “brilho do céu” indireto, quando a luz de áreas urbanas ilumina toda a atmosfera por quilômetros de distância.

Os pesquisadores também analisaram como a atividade das mariposas se modificava ao longo da noite. Os resultados mostraram padrões bastante distintos entre as diferentes espécies estudadas.

“Enquanto podemos pensar que a maioria das mariposas são simplesmente ‘noturnas’ e ativas durante toda a noite, encontramos enorme variabilidade entre as espécies. Algumas eram mais ativas no início da noite, outras no final, e a maioria só estava ativa por curtos períodos”, explicou o Dr. Jolyon Troscianko.

Possíveis causas da imobilidade

A diminuição da atividade pode ocorrer por diferentes razões. Uma hipótese é que a luz artificial confunde o senso de tempo das mariposas, fazendo com que permaneçam imóveis como durante o dia. Além disso, outra possibilidade é que a iluminação interfira na visão desses insetos.

Além da conhecida atração das mariposas por luzes artificiais, muitas permanecem imóveis ao pousar perto de uma fonte luminosa, aparentemente “presas”. Assim, esta redução de movimento pode comprometer atividades essenciais como busca por alimento ou parceiros para reprodução.

Porém, os cientistas ainda não determinaram como essa redução de atividade afetará as populações de mariposas a longo prazo.

Assine a newsletter do Giz Brasil