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Google passou a guardar mais dados de busca com IA

Nova configuração, ativada por padrão, armazena mídias de usuários e levanta críticas de especialistas em privacidade; dados podem ser usados por até 4 anos sem conexão à conta.
Imagem: Unsplash

O Google está expandindo a coleta de dados dos usuários para treinar seus modelos de inteligência artificial. A empresa passou a armazenar mídias enviadas durante interações com serviços de busca, como imagens usadas em pesquisas reversas, áudios de traduções e gravações de voz, e pode utilizá-las para aperfeiçoar seus sistemas de IA.

A mudança faz parte de um rollout global que a empresa implementa ao longo dos próximos meses. A nova configuração, chamada “Search Services History” (ou “Histórico de serviços de pesquisa”) chegou ativada por padrão nas contas dos usuários, assim como a opção de salvar mídias enviadas para fins de treinamento de IA.

Usuários que quiserem se recusar ao compartilhamento podem acessar a página “Minha Atividade” do Google e selecionar a aba “Search Services History”. Nessa seção, é possível desativar a configuração por completo, excluir o histórico acumulado e desmarcar a opção “Salvar mídia”, que autoriza o uso de imagens e outros arquivos para treinar modelos de IA.

O que é salvo

Segundo a descrição exibida na própria página do Google, o escopo do armazenamento vai além de textos digitados. O sistema pode guardar quatro tipos de conteúdo:

  • Imagens enviadas ao Google Lens;
  • Gravações feitas no Search Live ou na prática de conversação do Translate;
  • Conteúdos enviados pelo usuário em interações com serviços de busca;
  • Pesquisas feitas por voz.

Um alerta exibido ao usuário no momento de desativação da função informa que os dados já capturados podem permanecer nos sistemas mesmo após a exclusão da atividade original. “Se sua mídia salva for usada para treinar nossos modelos de IA, ela será desconectada da sua conta do Google. Esses dados de treinamento serão mantidos por até 4 anos, mesmo que você exclua a atividade original”, diz o aviso.

O porta-voz do Google Davis Thompson afirmou que “essas novas configurações ajudam os usuários a obter resultados mais relevantes e a revisitar suas pesquisas, incluindo pesquisas visuais e por voz, e podem ser ativadas ou desativadas a qualquer momento”. Porém, Thompson não respondeu o motivo de a função vir habilitada por padrão.

Críticas ao modelo opt-out

Especialistas consultados pela Wired criticaram a decisão do Google de exigir que o usuário se recuse ativamente ao compartilhamento, em vez de solicitar uma adesão consciente.

Thorin Klosowski, ativista sênior de segurança e privacidade da Electronic Frontier Foundation, avalia que o Google ocupa uma posição privilegiada nesse cenário. “O Google está em uma situação única em comparação com muitas outras empresas nesse sentido. Porque eles oferecem tantos serviços que as pessoas usam há tanto tempo e com os quais ficaram bastante confortáveis e complacentes com a quantidade de dados coletados”, declarou Klosowski.

Para o especialista, o modelo de consentimento adotado é insuficiente. “Acho que ‘opt in’ é realmente pedir o mínimo dessas empresas. Pedir aos usuários que escolham conscientemente habilitar esses recursos é o mínimo que podem fazer”, afirmou.

Ben Winters, diretor de IA e privacidade da Consumer Federation of America, alertou à Wired para o impacto acumulado dessas exigências sobre os usuários. “Há uma sensação crescente de impotência e desesperança em tentar proteger seus dados, porque cada pequena coisa vai ser espremida de você”, declarou Winters. Para ele, a configuração cria “essa camada extra de cálculo que o consumidor precisa fazer sobre se se sente confortável usando a ferramenta que vem usando há tanto tempo.”

O e-mail enviado pelo Google aos usuários em 2 de julho de 2026 descreveu a mudança como uma forma de oferecer “ainda mais controle sobre o histórico salvo”. A mensagem incluiu exemplos de como o armazenamento de mídias pode ser útil, como revisitar pesquisas visuais anteriores feitas no Lens. O mesmo e-mail informou, mais adiante, que as mídias salvas também serão usadas para treinar modelos de IA, sem apresentar exemplos equivalentes de benefícios dessa aplicação.

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