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Missão espacial estudará menstruação em microgravidade pela primeira vez

Iniciativa busca autonomia para astronautas e dados para saúde na Terra.
Imagem: Virgin Galactic/

Uma organização sem fins lucrativos chamada Operation Period prepara a primeira missão científica dedicada ao estudo da menstruação em microgravidade. O voo suborbital, denominado OP-01, está previsto para 2027 e será realizado a bordo de uma aeronave da Virgin Galactic.

Segundo o Space, a iniciativa é liderada por Manju Bangalore, fundadora e diretora executiva da organização, que também está em treinamento como astronauta pesquisadora para a missão. O fato de não existir nenhum estudo científico dedicado ao tema é o ponto de partida da iniciativa, uma lacuna que persiste apesar de décadas de voos espaciais com astronautas mulheres.

O episódio que expõe essa lacuna de forma emblemática ocorreu há 46 anos. Engenheiros da NASA questionaram Sally Ride se 100 absorventes seriam suficientes para uma missão de seis dias. O erro de cálculo e a falta de conhecimento básico sobre o ciclo menstrual transformaram o momento em símbolo de uma área da medicina espacial cronicamente negligenciada.

Atualmente, astronautas em geral optam por suprimir completamente o ciclo menstrual durante os voos, por meio de DIUs hormonais ou anticoncepcionais orais. Sem dados concretos sobre o que significa menstruar em ambiente de microgravidade, as astronautas têm menos autonomia sobre suas próprias escolhas corporais.

A lacuna se torna ainda mais crítica à medida que as missões se tornam mais longas, incluindo estadias prolongadas na Lua.

Pesquisa com impacto na Terra

Bangalore e Priya Abiram, diretora de pesquisa do Redshift Lab da Operation Period, também serão algumas das mulheres sul-asiáticas mais jovens a viajar ao espaço. As duas fundaram a organização há nove anos, com foco em promover o que Bangalore define como “liberdade menstrual”, entendida como o acesso universal a produtos de higiene menstrual.

“Quero que todos os que menstruam possam viver com plena dignidade e alcançar seu maior potencial, e isso inclui astronautas”, disse Bangalore ao Space. Ela tem formação em física e engenharia astronômica, além de treinamento em bioastronáutica e passagem pela NASA.

A pesquisa não se restringe ao ambiente espacial. Bangalore citou como exemplo uma descoberta recente de que empresas de produtos menstruais relatavam dados incorretos de absorção porque testavam seus produtos com solução salina, e não com sangue menstrual. “Isso estava potencialmente levando médicos a subdiagnosticar sangramento menstrual intenso, que segundo as estatísticas afeta 20% dos menstruadores norte-americanos”, afirmou.

A Virgin Galactic afirmou que “esta missão com a Operation Period é um exemplo poderoso de como a Virgin Galactic pode continuar a apoiar investigação científica em tempo real, em voo, em áreas de saúde humana historicamente ignoradas, ajudando a avançar uma exploração mais inclusiva e inovadora que gera conhecimento tanto para o espaço quanto para a vida na Terra”, declarou Amber Favaregh, diretora de análise de sistemas e pesquisa da empresa, em nota enviada por e-mail.

Próximos passos da missão

A equipe ainda não divulgou os detalhes do protocolo científico a ser executado durante o OP-01, pois as informações serão compartilhadas em data mais próxima ao lançamento. O objetivo de longo prazo é construir um conjunto de dados progressivo, com voos suborbitais e orbitais subsequentes.

“Nossa esperança é continuar a iterar esta pesquisa para que possamos realizar voos suborbitais futuros, além de voos orbitais, para continuar a criar conjuntos de dados maiores”, disse Bangalore. “Acho que o ponto dos estudos preliminares é saber quais perguntas fazer no futuro, então não esperamos que este voo suborbital resolva tudo ou crie todos os dados de que precisamos, mas esperamos que seja um bom passo inicial.”

O impulso para a missão veio de um vídeo viral nas redes sociais em que Bangalore realizou um experimento preliminar de dinâmica de fluidos menstruais em ambiente de baixa gravidade, a bordo de um voo parabólico. A repercussão, com milhões de visualizações, abriu caminho para conversas mais amplas sobre a desestigmatização do tema e as lacunas na medicina espacial relacionadas à saúde menstrual.

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