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Marte pode revelar onde procurar vida alienígena

Marte ajuda cientistas a entender exoplanetas rochosos que podem ter perdido atmosfera, água e condições de habitabilidade.
Imagem: NASA

Marte pode ajudar cientistas a entender exoplanetas rochosos que ficam no limite da habitabilidade. O planeta já teve água líquida e atividade geológica, mas terminou frio, seco e com atmosfera fina. Uma nova pesquisa usa essa transição como referência para mundos fora do Sistema Solar.

Por que Marte importa nessa busca

A pesquisa, com publicação prevista na Planetary Science Journal, trata Marte como um exemplo de planeta marginalmente habitável.

A ideia é que habitabilidade não é uma característica fixa. Ela depende do tempo, da atmosfera, da massa, da atividade interna, da radiação recebida e da capacidade de manter gases ao redor do planeta.

Marte mostra esse limite, pois ele foi grande o bastante para ter condições mais favoráveis no passado. Também foi pequeno o bastante para perder parte dessas condições ao longo da evolução.

Tamanho não conta a história toda

Os estudos de exoplanetas costumam usar a Terra como padrão. Isso ajuda nas medições, mas pode criar uma leitura estreita sobre mundos rochosos.

Vênus, Terra, Marte e até a Lua viveram trajetórias diferentes no mesmo Sistema Solar. Cada corpo teve sua própria história de gases, tectônica, atmosfera e perda de material volátil.

Isso mostra que o tamanho não determina sozinho o destino de um planeta. Dois mundos rochosos podem nascer na mesma vizinhança estelar e seguir caminhos climáticos distintos.

Marte como planeta que perdeu o fôlego

De acrodo com o Universe Today, Marte teve uma formação rápida no início, mas não cresceu até atingir massa parecida com a da Terra. Os autores descrevem o planeta como um embrião planetário interrompido.

Essa massa menor teve consequências. No passado, vulcões liberaram gases e ajudaram a formar uma atmosfera mais densa, capaz de reter calor.

Com o resfriamento interno, o dínamo marciano parou. Sem esse mecanismo, Marte perdeu proteção magnética global. A fuga atmosférica avançou, o clima esfriou e a superfície deixou de sustentar água líquida de modo estável.

O alerta para exoplanetas pequenos

Planetas rochosos pequenos aparecem com frequência nas pesquisas sobre exoplanetas. Muitos ainda não têm massa e raio bem definidos, por causa dos limites dos métodos de detecção.

A situação deve melhorar com o Telescópio Nancy Grace Roman e seu levantamento por microlente gravitacional.

Com mais dados, cientistas poderão comparar mundos parecidos com Marte em escala estatística. Eles também poderão investigar se esses planetas mantêm atmosferas finas de CO2, perdem água ou passam por ciclos curtos de gases voláteis.

O que vem depois

Marte oferece algo que exoplanetas ainda não oferecem. Missões no Sistema Solar conseguem medir fuga atmosférica, clima e reservas de voláteis com detalhe.

Exoplanetas oferecem o outro lado da equação. Eles colocam Marte dentro de uma população muito maior de mundos rochosos.

A convergência dessas duas áreas pode revelar quanta massa um planeta precisa para manter atividade geológica, atmosfera e clima por muito tempo.

O valor de Marte está justamente em não ser uma segunda Terra. Ele mostra como um planeta pode chegar perto da habitabilidade e perder essa janela. Para mundos distantes, essa pode ser a regra mais comum.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.