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Milhões já usam IA como “médico” antes da consulta

Pesquisa revela que 1 em cada 4 adultos nos EUA recorre a chatbots para obter informações sobre saúde física e mental.
Imagem: Freepik/Reprodução

Um em cada quatro adultos nos Estados Unidos utilizou ferramentas de inteligência artificial ou chatbots para obter informações sobre saúde física ou mental. O percentual equivale a mais de 66 milhões de norte-americanos. Os dados são de pesquisa do West Health-Gallup Center on Healthcare in America.

O levantamento foi realizado entre 27 de outubro e 22 de dezembro de 2025. A amostra incluiu 5.660 adultos membros do Painel Gallup, representativa da população nacional do país.

Principais usos da inteligência artificial em saúde

Entre os norte-americanos que recorreram à tecnologia nos 30 dias anteriores à pesquisa, 59% buscaram informações sobre nutrição ou exercícios. Além disso, outros 58% procuraram dados sobre sintomas físicos.

A inteligência artificial também foi utilizada para entender efeitos colaterais de medicamentos (46%). Outros 44% usaram a tecnologia para interpretar informações médicas. Aproximadamente 38% pesquisaram diagnósticos ou condições médicas. Além disso, cerca de 24% recorreram à ferramenta para explorar questões de saúde mental ou emocional.

Motivações para o uso da tecnologia

Entre os usuários recentes de inteligência artificial para saúde, 71% afirmaram que desejavam obter respostas rapidamente. O mesmo percentual (71%) buscava informações adicionais. Aproximadamente 67% relataram curiosidade sobre o que a inteligência artificial diria.

Cerca de 59% utilizaram a tecnologia para realizar pesquisas por conta própria antes de consultar um médico. Outros 56% fizeram isso após a consulta.

Barreiras financeiras e de acesso também motivaram o uso. Entre os usuários recentes, 27% disseram que não queriam pagar por uma consulta médica. Outros 14% afirmaram não ter condições financeiras para isso.

Além disso, um em cada cinco (21%) relatou não ter tempo para marcar uma consulta. Outros 16% disseram não conseguir acessar um médico ou profissional de saúde. Aproximadamente 21% afirmaram ter se sentido ignorados ou desconsiderados por um profissional no passado. Outros 18% disseram estar envergonhados demais para conversar com uma pessoa.

Impacto nas consultas médicas

Entre os usuários recentes de inteligência artificial para saúde, 84% ainda consultaram um profissional de saúde. Porém, 14% relataram não ter procurado um profissional que de outra forma teriam consultado devido às informações ou orientações recebidas da inteligência artificial.

Quando projetado para toda a população adulta dos Estados Unidos, esse percentual representa aproximadamente 14 milhões de americanos que deixaram de consultar um profissional após receber informações geradas por inteligência artificial.

Quase metade (46%) dos americanos que utilizaram inteligência artificial para informações sobre saúde afirmou que a ferramenta ou chatbot os fez sentir mais confiantes ao conversar ou fazer perguntas a um profissional. Outros 22% disseram que a inteligência artificial os ajudou a identificar problemas mais cedo. Aproximadamente 19% afirmaram que evitaram testes ou procedimentos médicos desnecessários.

Confiança dividida na tecnologia

De acordo com o Medical Xpress, a confiança nas informações de saúde geradas por inteligência artificial permanece dividida. Entre aqueles que a consultaram nos 30 dias anteriores, aproximadamente um terço (33%) afirmou confiar nela. Outro terço (33%) nem confia nem desconfia. Cerca de um terço (34%) desconfia.

Por outro lado, apenas 4% afirmaram confiar fortemente na precisão. O dado indica que muitos norte-americanos tomam decisões sobre cuidados de saúde baseadas em informações geradas por inteligência artificial sem total confiança em sua precisão.

Cerca de um em cada dez (11%) que relataram usar inteligência artificial para informações ou orientações de saúde nos 30 dias anteriores disseram que a tecnologia recomendou informações ou orientações que consideraram inseguras.

Diferenças entre grupos demográficos

Adultos mais jovens apresentam maior probabilidade de usar inteligência artificial para pesquisas autodirecionadas. Entre adultos de 18 a 29 anos, 69% afirmaram fazer pesquisas antes de consultar um médico. O percentual cai para 43% entre aqueles com 65 anos ou mais.

As diferenças de renda são visíveis nas motivações relacionadas a barreiras de acesso. Entre adultos que ganham menos de 24 mil dólares anualmente, 32% afirmaram ter usado inteligência artificial porque não podiam pagar por uma consulta médica. O percentual é de apenas 2% entre aqueles que ganham 180 mil dólares ou mais.

Declarações de especialistas

“A inteligência artificial já está remodelando como os americanos buscam informações de saúde, tomam decisões e se envolvem com profissionais, e os sistemas de saúde devem acompanhar”, disse Tim Lash, presidente do West Health Policy Center, organização sem fins lucrativos e apartidária focada em envelhecimento e acessibilidade aos cuidados de saúde.

“O risco não é que a inteligência artificial esteja se movendo rápido demais… é que os sistemas de saúde podem se mover muito lentamente para orientar seu uso nos cuidados de saúde de forma responsável”, acrescentou Lash.

“Esses dados indicam que, embora alguns norte-americanos possam estar usando inteligência artificial como substituto para ir ao consultório médico, muitos a veem como uma ferramenta para complementar seus cuidados de saúde, ajudando-os a entender sintomas que possam estar sentindo e esclarecer qualquer diagnóstico que recebam de seus médicos”, afirmou Joe Daly, sócio-gerente global da Gallup.

Metodologia da pesquisa

A Gallup utilizou métodos de seleção aleatória para recrutar membros do painel. Os métodos incluíram entrevistas telefônicas por discagem aleatória de dígitos que cobrem telefones fixos e celulares. Também foram utilizados métodos de amostragem baseada em endereços.

Entrevistados com acesso à internet completaram o questionário como uma pesquisa online. Assim, aqueles sem acesso regular à internet receberam um questionário impresso para completar e devolver pelo correio.

Além disso, os pesquisadores ponderaram a amostra para ser demograficamente representativa da população adulta dos Estados Unidos. A margem máxima de erro amostral é de 2,1 pontos percentuais no nível de confiança de 95%. As margens de erro são maiores para subamostras.

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