2023 © Copyright 404 - Todos os direitos reservados

Cientistas chineses rodam IA em computador feito de luz

Pesquisadores chineses criam sistema virtual que reproduz resultados do hardware físico, reduzindo custos e tempo de desenvolvimento.
Imagem: Unsplash

Pesquisadores chineses desenvolveram um sistema de gêmeo digital para computação óptica que permite testar e otimizar programas de inteligência artificial em um ambiente virtual antes de qualquer contato com o hardware físico. O trabalho foi publicado na revista Opto-Electronic Advances.

De acordo com o TechRadar, a solução, batizada de Sistema de Computação Óptica de Gêmeo Digital (DT-OCS, na sigla em inglês), responde a um gargalo crônico da dependência de acesso físico direto a equipamentos caros e de uso compartilhado para o desenvolvimento de aplicações. O DT-OCS constrói, inteiramente em software, um modelo digital capaz de reproduzir as respostas de entrada e saída de um sistema óptico real para diferentes parâmetros de configuração.

A computação óptica utiliza luz, e não eletricidade, para processar dados. Ao explorar propriedades físicas da luz como interferência e difração, esses sistemas oferecem maior velocidade, melhor eficiência energética e capacidade superior de processamento paralelo em comparação com arquiteturas eletrônicas tradicionais, que enfrentam dificuldades crescentes diante das cargas de trabalho de IA e aprendizado profundo em larga escala.

O problema que motivou a pesquisa

O obstáculo central que os pesquisadores buscaram resolver é o ciclo de espera, ajuste e recalibração que marca o uso de hardware óptico compartilhado. Quando vários pesquisadores precisam trabalhar com o mesmo equipamento, cada um aguarda sua vez em fila e, ao assumir o sistema, precisa reajustar parâmetros e realizar calibração de erros antes de iniciar qualquer computação. Ao terminar, o próximo usuário frequentemente precisa reconfigurar todo o estado do sistema, tornando a pesquisa paralela entre projetos distintos praticamente inviável.

Esse ciclo eleva os custos de tentativa e erro e limita a eficiência geral da pesquisa. Os próprios pesquisadores descrevem o DT-OCS como um simulador de alta fidelidade rodando em paralelo ao equipamento real, de forma análoga a como um simulador de voo funciona ao lado de uma aeronave.

Resultados dos testes

A equipe testou o DT-OCS em tarefas de classificação de imagens e tomada de decisão sequencial, usando um sistema óptico de alta velocidade combinado a um chip de computação de características em fotônica de silício. Os parâmetros de configuração treinados e otimizados dentro do gêmeo digital foram transferidos diretamente para o hardware físico sem necessidade de ajustes adicionais. O desempenho das tarefas no equipamento real correspondeu de perto às previsões do modelo digital, validando tanto a fidelidade quanto a transferibilidade da abordagem.

Como o treinamento e a otimização ocorrem predominantemente no ambiente virtual, pesquisadores podem desenvolver múltiplas tarefas distintas ao mesmo tempo, sem precisar aguardar acesso ao hardware compartilhado.

Abertura e próximos passos

A equipe disponibilizou o framework DT-OCS e seus conjuntos de dados de forma aberta, permitindo que outros pesquisadores realizem treinamento e validação sem jamais precisar acessar o equipamento físico. Os pesquisadores descreveram o sistema como “um recurso de software reproduzível, acessível e escalável para compartilhamento e validação mais amplos.”

Na avaliação dos autores, sistemas de computação óptica maduros deveriam combinar hardware físico com modelos digitais abertamente disponíveis e de comportamento computacional equivalente.

Assine a newsletter do Giz Brasil