Estudo prova longevidade do RNA de mamute da Era do Gelo
Pela primeira vez, cientistas extraíram moléculas de RNA mais antigas dos restos mortais do jovem mamute-lanoso Yuka, da Era do Gelo (entre 115 mil e 11.500 anos atrás), que morreu há 40 mil anos. A revista Cell publicou o estudo na última sexta-feira (14).
Pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, extraíram sequências de RNA do animal. Seus restos de tecido bem preservados foram encontrados congelados no permafrost na Sibéria, Rússia. O estudo demonstra a longevidade do RNA, cuja preservação é possível por milhares de anos, assim como o DNA e as proteínas.
“Com o RNA, podemos obter evidências diretas de quais genes estão ‘ativados’, oferecendo um vislumbre dos momentos finais da vida de um mamute que caminhou sobre a Terra durante a última Era do Gelo. Essa é uma informação que não pode ser obtida apenas com o DNA”, explicou Emilio Mármol, autor principal.
Os mamutes-lanosos, que viviam nas planícies geladas da Eurásia e da América do Norte na última Era Glacial, foram extinguindo-se gradualmente com o aquecimento do clima. Alguns dos últimos indivíduos sobreviveram em ilhas remotas do Ártico até cerca de 4 mil anos atrás.
O que a pesquisa descobriu sobre o RNA do mamute Yuka?
A pesquisa com o músculo congelado de Yuka identificou padrões de expressão gênica específicos de cada tecido. De seus mais de 20 mil genes codificadores de proteínas, apenas um subconjunto se mostrou ativo.
As moléculas de RNA encontradas contêm instruções para a criação de proteínas essenciais para a contração muscular e regulação metabólica quando ele estava sob estresse. A descoberta está de acordo com evidências anteriores, que sugerem que Yuka teve um fim violento. Segundo Mármol, pesquisas anteriores indicam que ele sofreu um ataque de leões das cavernas pouco antes de morrer.
Além disso, houve a detecção diversas moléculas de RNA não codificantes que regulam a atividade gênica, particularmente microRNAs no músculo. Esses microRNAs específicos nos tecidos são evidências diretas da regulação gênica em tempo real antigamente.
Assim, eles foram fundamentais para confirmar a autenticidade das descobertas. Em alguns deles, a equipe encontrou mutações raras, prova de sua origem em mamutes. As evidências de RNA também possibilitaram a detecção de novos genes, pela primeira vez com restos mortais tão antigos.
“Nossos resultados demonstram que as moléculas de RNA podem sobreviver por muito mais tempo do que se pensava anteriormente. Isso significa que não só poderemos estudar quais genes estão ‘ativados’ em diferentes animais extintos, como também será possível sequenciar vírus de RNA, como os da gripe e os coronavírus, preservados em restos da Era do Gelo”, disse a professora Love Dalén.
