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Universitários já tentam escolher carreiras “à prova de inteligência artificial”

Com medo da automação em vagas iniciais, universitários buscam áreas que desenvolvam pensamento crítico, comunicação e relações humanas.
Imagem: Agência Brasil

A inteligência artificial começou a mexer com uma das decisões mais importantes da vida universitária: a escolha do curso. Nos Estados Unidos, por exemplo, estudantes já mudam de área por medo de que habilidades técnicas, como programação e análise de dados, percam valor no mercado de trabalho.

O dilema cresce porque ninguém sabe, com segurança, quais carreiras serão mais protegidas da IA. Para muitos jovens, escolher uma formação “à prova de IA” virou uma tentativa de mirar um alvo em movimento.

O medo chegou às vagas de entrada

Josephine Timperman, de 20 anos, entrou na Universidade de Miami, nos EUA, com um plano bem definido. Ela escolheu business analytics, área ligada à análise de negócios, por acreditar que aprenderia competências específicas e valorizadas no currículo.

A chegada acelerada da IA mudou essa conta. Tarefas básicas de estatística, análise e programação já podem ganhar automação. Por isso, Timperman trocou o curso principal para marketing há poucas semanas.

A estratégia dela agora é usar a graduação para desenvolver pensamento crítico e habilidades interpessoais. Analytics continuará como formação secundária, e ela pretende se aprofundar no tema em um mestrado de um ano.

Habilidades humanas ganham novo peso

Para Timperman, saber apenas programar já não parece suficiente. Ela afirma que conversar, formar relações e pensar criticamente são capacidades que a IA ainda não substitui da mesma forma.

Esse raciocínio aparece entre outros estudantes. O medo não é só perder espaço para uma ferramenta, mas se formar para um mercado que pode mudar antes mesmo da formatura.

Aliás, uma pesquisa de 2025 do Institute of Politics, da Harvard Kennedy School, apontou que cerca de 70% dos universitários veem a IA como ameaça às perspectivas de emprego.

Cursos técnicos sentem mais incerteza

A tensão parece maior entre estudantes de tecnologia e áreas vocacionais. Eles sentem que precisam aprender inteligência artificial para não ficar para trás, mas também temem que a própria tecnologia reduza as oportunidades.

À AP, Courtney Brown, vice-presidente da Lumina, organização voltada à educação após o ensino médio, afirma que trocar de curso sempre foi comum. O que chama atenção agora é o número de estudantes que citam a IA como motivo.

Segundo Brown, os jovens estão tentando navegar sozinhos, sem um “GPS”. Professores, orientadores e pais também não têm respostas claras.

Nem ciência da computação escapou

A ansiedade chegou até aos alunos de ciência da computação, antes vistos como candidatos naturais aos empregos do futuro. Ben Aybar, de 22 anos, formou-se na Universidade de Chicago e se candidatou a cerca de 50 vagas, principalmente em engenharia de software, sem conseguir entrevista.

Ele decidiu fazer mestrado em ciência da computação e conseguiu trabalho parcial com consultoria em IA. Para Aybar, pessoas que sabem usar a tecnologia serão valiosas, principalmente se conseguirem explicar temas complexos em linguagem simples.

A pergunta ainda não tem resposta

Na Universidade de Virginia, Ava Lawless estuda ciência de dados, mas questiona se escolheu o caminho certo. Alguns orientadores dizem que cientistas de dados estarão protegidos porque constroem modelos de inteligência artificial. Mesmo assim, ela encontra relatórios pessimistas sobre o mercado.

Lawless considera migrar para artes visuais, sua área secundária. Para ela, se o futuro parece incerto, talvez faça sentido se dedicar a algo que ama.

O debate também chegou às lideranças universitárias. Christina Paxson, presidente da Universidade Brown , afirmou que ninguém sabe exatamente o que os estudantes precisarão aprender para ter sucesso em 10, 20 ou 30 anos. Mesmo assim, ela vê comunicação e pensamento crítico como fundamentos cada vez mais importantes.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.