Crise da memória vai bater primeiro nos celulares mais baratos
A indústria de smartphones enfrentará um cenário desafiador em 2026 com o aumento de preços causado pela escassez de componentes de memória. Após um crescimento modesto em 2025, quando foram enviadas 1,25 bilhão de unidades globalmente segundo a Omdia, o setor agora se prepara para uma retração no mercado que poderá forçar fabricantes menores a se fundirem ou desaparecerem.
A escassez ocorre porque fabricantes de chips estão priorizando componentes de alto valor para servidores de IA e GPUs, reduzindo a capacidade disponível para memória utilizada em smartphones e outros eletrônicos de consumo. Conforme reportado pelo The Register, este cenário já começou a pressionar os custos de produção, obrigando as empresas a focarem em disciplina de preços e eficiência operacional.
Impacto desproporcional nos aparelhos de entrada
Os aparelhos de baixo custo serão os mais afetados pela crise. De acordo com o IDC, a memória representa entre 15% e 20% do custo total de materiais em dispositivos de médio porte. Enquanto em modelos premium esse percentual varia de 10% a 15%.
“A situação é particularmente crítica para fornecedores com maior exposição a smartphones de entrada, que são altamente elásticos em termos de preço e onde os custos de memória e armazenamento compõem uma parcela maior da lista de materiais”, afirmou Runar Bjørhovde, analista sênior da Omdia.
Os preços dos aparelhos poderão aumentar entre 6% e 8%, com os fabricantes tendo poucas alternativas além de repassar esses custos aos consumidores. Como resultado, o IDC prevê uma contração do mercado de 2,9% em 2026, podendo chegar a 5,2% em cenários mais pessimistas.
Estratégias de adaptação dos fabricantes
Para enfrentar a crise, as empresas estão implementando diversas táticas de mitigação. Os novos smartphones topo de linha lançados este ano provavelmente não apresentarão aumento de memória em comparação com modelos anteriores, e os consumidores devem esperar menos descontos.
“Todos os fornecedores estão utilizando táticas de mitigação, enfatizando parcerias de longo prazo, por exemplo, utilizando escala para garantir capacidade e focando em sua base de fornecedores”, acrescentou Bjørhovde.
Além disso, os fabricantes estão ajustando configurações, alinhando lançamentos com a disponibilidade de componentes. Eles também estão utilizando incentivos como serviços e programas de troca para sustentar preços mais elevados, conforme explica Sanyam Chaurasia, analista principal da Omdia.
Perspectivas de consolidação no mercado
Ryan Reith, vice-presidente de grupo do IDC para Dispositivos de Cliente Mundial, declarou: “A escassez de memória, que é amplamente considerada uma interrupção sem precedentes na cadeia de suprimentos, causará o declínio do mercado em 2026, e a duração da escassez determinará a extensão da contração do mercado.”
A duração desta escassez ainda é incerta, mas já existem sinais de que o mercado caminha para uma consolidação. Segundo Chaurasia, há “sinais iniciais de consolidação”. Isso conforme os fornecedores buscam maior escala para gerenciar o aumento dos custos e manter a competitividade na segunda metade da década.
Um exemplo desta tendência é a marca chinesa Realme. Ela está se reintegrando à estrutura da OPPO, indicando que a busca por economias de escala já está impulsionando fusões entre players menores do mercado.
