Animais da Amazônia criaram a sua própria “internet” natural
Espécies de aves e macacos na Amazônia peruana desenvolveram um sistema de comunicação interespécies para transmitir avisos sobre a presença de predadores. A descoberta foi publicada na revista científica Current Biology pelos pesquisadores Ettore Camerlenghi e Ari Martínez. O estudo documentou como diferentes animais interpretam e retransmitem chamados de alarme, criando uma cadeia de alerta na floresta tropical.
Os cientistas conduziram experimentos na Amazônia peruana utilizando aves de rapina treinadas para simular ameaças. Gravaram e reproduziram chamados de alarme para observar como a informação sobre perigo se propagava entre as espécies. De acordo com a Vice, a pesquisa revelou um sofisticado mecanismo de cooperação entre espécies que compartilham o mesmo habitat florestal.
Sistema coordenado de defesa coletiva
A pesquisa identificou um mecanismo no qual uma espécie detecta a ameaça e emite seu chamado característico. Outras espécies reconhecem esse sinal e liberam seus próprios chamados de emergência. O processo se repete sucessivamente até que todos os animais da região estejam alertados.
Os pesquisadores denominaram o fenômeno de “internet da floresta,” uma rede de comunicação que espalha avisos sobre predadores entre diferentes espécies. As espécies desenvolveram a capacidade de interpretar os chamados de alarme umas das outras, mesmo sem visualizar diretamente a ameaça.
Aves pequenas que habitam o alto do dossel florestal, identificam as ameaças primeiro. Macacos respondem aos alarmes das aves mesmo quando não viram o predador diretamente.
Camadas de comunicação na floresta
O sistema funciona principalmente nas camadas superiores da floresta tropical. O estudo focou nos avisos emitidos do dossel florestal, onde os alertas ocorreram com maior frequência. A pesquisa identificou que os níveis superiores da floresta funcionam como uma rodovia biológica de informação. Animais no nível do solo não participaram tanto do sistema de alerta.
Camerlenghi e Martínez detalharam o estudo na plataforma The Conversation. Eles observaram que o aviso envolve tanto ruído quanto silêncio. “À medida que o alerta sobre um predador iminente se espalha, os animais da Amazônia ficam silenciosos, pois as aves param de se chamar, provavelmente numa tentativa de ficarem o mais invisíveis possível”, afirmaram os pesquisadores.
Porém, o estudo não especificou a extensão total da rede de comunicação nem quantas espécies diferentes participam do sistema. Além disso, a pesquisa também não detalhou por quanto tempo os alertas permanecem ativos após a identificação inicial da ameaça.
