Enciclopédia Britânica processa OpenAI e amplia guerra dos direitos autorais na IA
A Enciclopédia Britânica e sua subsidiária Merriam-Webster entraram com ação judicial contra a OpenAI em tribunal federal de Manhattan, nos EUA. As empresas acusam a desenvolvedora de inteligência artificial de usar materiais de referência sem autorização para treinar modelos de IA.
A Britânica alega na petição que a OpenAI utilizou artigos online, verbetes de enciclopédia e definições de dicionário para ensinar o chatbot ChatGPT a responder comandos humanos. A empresa afirma que a OpenAI desviou o tráfego da web da Britannica ao gerar resumos de seu conteúdo por meio de inteligência artificial, de acordo com a Reuters.
A petição indica que a OpenAI copiou ilegalmente quase 100 mil artigos da empresa para treinar os modelos de linguagem GPT. A queixa aponta que o ChatGPT produz cópias quase idênticas de verbetes de enciclopédia, definições de dicionário e outros conteúdos da Britânica.
A Britânica acusou a OpenAI de violar suas marcas registradas ao sugerir que possui permissão para reproduzir seu material. A empresa também alega citações incorretas da Britânica em “alucinações” falsas geradas por IA.
A Britânica solicitou uma ordem judicial para bloquear a suposta violação. A empresa pediu uma quantia não especificada em indenização. Porém, o valor específico dos danos monetários solicitados não foi divulgado.
O outro lado
Um porta-voz da OpenAI declarou na segunda-feira (17): “Nossos modelos capacitam a inovação e são treinados com dados publicamente disponíveis e fundamentados no uso justo”. As empresas de IA têm argumentado que seus sistemas fazem uso justo de conteúdo protegido por direitos autorais ao transformá-lo em algo novo.
O processo se insere em um contexto mais amplo de disputas judiciais entre proprietários de direitos autorais e empresas de tecnologia. Autores e veículos de comunicação têm movido ações contra companhias de tecnologia por utilizarem seus materiais para treinar sistemas de IA sem autorização prévia.
A Britânica já havia entrado com um processo relacionado contra a startup de inteligência artificial Perplexity AI no ano passado. Porém, o caso ainda está em andamento. Além disso, o caso atual se junta a outras ações judiciais de alto impacto movidas por proprietários de direitos autorais contra empresas de tecnologia.
