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Refrigerante e suco na infância pode elevar risco de pressão alta

Dados apontam que duas ou mais porções diárias de bebidas adoçadas aumentam em 52% o risco de pressão alta. Trocar por fruta pode reduzir em 22%.
Imagem: Unsplash

Consumir sucos e refrigerantes desde a infância pode elevar o risco de hipertensão arterial na vida adulta. É o que aponta um novo estudo publicado no periódico Circulation, da American Heart Association.

Segundo o levantamento, reportado pelo MedicalXpress, a relação entre bebidas adoçadas e pressão alta se mostrou independente da qualidade geral da dieta, do nível de atividade física e de outros fatores. A pesquisa acompanhou mais de 25 mil participantes de um estudo com jovens norte-americanos por até 25 anos.

Os participantes responderam, a cada um a quatro anos, questionários sobre consumo de bebidas adoçadas, sucos de fruta e frutas inteiras, além de hábitos como tabagismo e atividade física.

Riscos por tipo de bebida

Os resultados apontam associações distintas conforme o tipo e a quantidade de bebida consumida:

  • Quem bebia duas ou mais porções de bebidas adoçadas por dia apresentou risco 52% maior de desenvolver hipertensão em comparação com quem consumia menos de três porções por semana. Uma porção típica foi definida como uma lata ou copo de 355 mililitros.
  • Cada porção diária de refrigerante foi associada a risco 23% maior; para bebidas esportivas, o aumento foi de 36%.
  • Consumidores de 1,5 porção ou mais de suco de fruta por dia tiveram risco 35% maior do que quem bebia menos de uma porção semanal. Uma porção de suco equivale a um copo de 237 mililitros.
  • Cada porção diária de suco de laranja foi associada a risco 20% maior de hipertensão. Sucos de maçã e outros tipos não apresentaram associação significativa, embora os pesquisadores tenham alertado para possível erro de classificação; bebidas sabor laranja com açúcar adicionado podem ter sido relatadas como suco de laranja.

A análise de substituição indicou que trocar uma porção diária de bebida adoçada por fruta inteira poderia estar associada a risco 22% menor de hipertensão. Substituir suco por fruta inteira apontou redução de 19%. Já a troca de bebidas adoçadas por leite ou água foi associada a até 13% menos risco. Por fim, para sucos, a substituição por leite ou água não mostrou associação significativa.

Orientações dos pesquisadores

Vasanti Malik, professora associada e titular da Cátedra de Pesquisa do Canadá em Nutrição e Prevenção de Doenças Crônicas na Universidade de Toronto, coordenou o estudo. “Os hábitos alimentares na primeira infância podem ter consequências duradouras para a saúde”, declarou Malik. Ela também afirmou que “a hipertensão está surgindo cada vez mais cedo na vida, com taxas crescentes em adultos jovens, crianças e adolescentes, o que destaca a importância da detecção e prevenção precoces”.

Sobre recomendações práticas, Malik afirma que”bebidas adoçadas com açúcar, como refrigerantes e bebidas esportivas, frequentemente comercializadas como relativamente saudáveis, devem ser limitadas. O consumo de suco de fruta pode ser inofensivo em pequenas quantidades, mas prejudicial em quantidades maiores. Deve ser sempre suco 100% natural e, mesmo assim, consumido com moderação. As frutas inteiras devem ser priorizadas em relação às bebidas açucaradas.”

Amit Khera, diretor de cardiologia preventiva e chefe clínico de cardiologia da Universidade do Texas Southwestern Medical Center, e membro voluntário da American Heart Association, afirmou que o estudo traz novas perspectivas. “Em primeiro lugar, o foco na infância e a importância dos comportamentos de saúde nessa fase para o desenvolvimento de fatores de risco na vida adulta oferecem uma oportunidade crítica de prevenção. Como observado em adultos, a quantidade total de frutose parece ser menos importante para o desenvolvimento da hipertensão do que o tipo de alimento em que ela é consumida. Assim, bebidas adoçadas e suco de fruta se relacionam ao aumento do risco, enquanto a fruta inteira não”, disse Khera.

Ele acrescentou que “houve um equívoco sobre a frutose em geral ser prejudicial para a saúde cardiovascular independentemente da fonte, e de que os sucos de fruta seriam benéficos. Este estudo demonstra que nenhuma das duas afirmações parece estar correta”. Khera também observou que a população do estudo era majoritariamente branca, mas ponderou que os resultados podem ser ainda mais relevantes para afro-americanos não hispânicos e latino-americanos, grupos com os maiores índices de consumo de bebidas adoçadas.

A American Heart Association defende políticas baseadas em evidências para reduzir o consumo de bebidas açucaradas. Entre as medidas propostas estão a criação de impostos sobre essas bebidas, a melhora dos padrões nutricionais nas refeições escolares, o fortalecimento da transparência nutricional em restaurantes e o aprimoramento da qualidade alimentar no Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP).

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