Surpreendente: águas-vivas também dormem como humanos e até cochilam
Pesquisadores descobriram que águas-vivas e anêmonas-do-mar dormem de forma similar aos seres humanos, mesmo não possuindo cérebro. O estudo foi publicado na revista Nature Communications. A pesquisa sugere que o sono evoluiu parcialmente como mecanismo de proteção do DNA em células nervosas individuais, auxiliando no reparo de danos acumulados durante a vigília.
A investigação, conduzida por uma equipe que inclui o neurocientista molecular Lior Appelbaum da Universidade Bar-Ilan em Ramat Gan, Israel, ocorreu em laboratório e no habitat natural em Key Largo, Flórida, nos EUA. Conforme relatado na revista Nature, os cientistas documentaram detalhadamente os padrões de sono desses animais marinhos primitivos.
As observações revelaram que a água-viva Cassiopea andromeda dorme aproximadamente oito horas por dia, principalmente durante a noite, com uma breve soneca ao meio-dia. A anêmona-do-mar estrelada (Nematostella vectensis), cujo sono foi caracterizado pela primeira vez neste estudo, também descansa cerca de um terço do dia, concentrando seu período de descanso ao amanhecer.
O sono representa um estado biologicamente arriscado para os animais, que ficam vulneráveis a predadores e perdem tempo que poderia ser usado para alimentação, reprodução ou cuidados parentais. Apesar desses custos, sua preservação em todas as espécies com sistemas nervosos estudadas até o momento indica sua importância evolutiva fundamental.
Sono em animais primitivos
A pesquisa atual aprofunda o conhecimento sobre o sono em organismos primitivos. Assim, definindo-o com maior precisão e investigando seus efeitos no nível celular em animais que possuem neurônios, mas não têm cérebro centralizado. A Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, também contribuiu para o estudo através da participação da pesquisadora de sono Chiara Cirelli.
“Os neurônios são muito preciosos”, afirma Appelbaum. “Eles não se dividem, então você precisa mantê-los intactos.”
Os cientistas ainda não descobriram os mecanismos de regulação dos ciclos de sono nesses animais sem cérebro centralizado. Da mesma forma, as possíveis aplicações dessa descoberta para compreender distúrbios do sono em humanos permanecem inexploradas.
“Cada vez que alguém adiciona à lista de espécies que dormem, é um passo muito importante para o campo”, acrescenta Cirelli.
A partir destes resultados, os pesquisadores planejam investigar mais profundamente os mecanismos moleculares envolvidos no sono desses animais primitivos. Além disso, como esses processos podem ter evoluído em organismos mais complexos.
“Há boas evidências de que o sono surgiu com os neurônios”, diz Nath. “Provavelmente existe uma função central, mas cada espécie também adaptou o sono para atender às suas próprias necessidades.”
