Marca holandesa cria vestido usando 125 milhões de algas

Nesta segunda-feira (7), na Semana de Moda de Alta Costura em Paris, na França, a marca holandesa Iris van Herpen — que já fez um vestido de plástico oceânico — colocou na passarela 125 milhões de algas bioluminescentes. Isso porque um dos trajes da nova coleção carrega uma colônia da espécie Pyrocystis lunula, que vive a 50 metros abaixo do mar.
A roupa foi uma colaboração com o biodesigner Chris Bellamy, desfilada pela modelo Stella Maxwell. Uma das principais inspirações por trás dela foi o documentário “Oceanos com David Attenborough”, do naturalista britânico. Veja:
“Sympoiesis” é um neologismo do grego “sym” (junto) e “poiesis” (produzir), ou seja, se refere a sistemas ecológicos que evoluem por meio de interações. “Não é como criar um visual; é como cultivar, nutrir algo que você precisa cuidar. E aí você cria um vínculo com isso, e isso é realmente lindo”, disse Van Herpen à Vogue Runway.
A criação requer condições ideais de temperatura e umidade que simulam seu habitat natural. Dessa forma, as algas vivas respondem ao movimento e podem continuar se reproduzindo, aumentando o brilho da peça. No entanto, vê-las exige um microscópio, já que se tratam de microrganismos unicelulares.
Vestido de algas
Antes de ir às passarelas, a vestimenta esteve em uma caixa com o mesmo comprimento de onda de luz de seu habitat, bem como com uma nuvem de vapor frio ao redor. À luz do dia, sua cor se torna um branco leitoso com um toque de azul, que brilha no escuro, adquirindo um tom azulado brilhante. Já o cheiro é de água do mar.
Para aprimorar a experiência, Van Herpen trabalhou com o perfumista Francis Kurkdjian para criar uma fragrância personalizada, espalhada em ondas no local durante o show.
No desenvolvimento da novidade, Bellamy trabalhou em uma “fazenda de algas”, uma câmara de luz para o crescimento dos microrganismos. Como a quantidade dobra a cada duas semanas, após um tempo, já havia 20 litros de algas. Então, ocorreu transferência das algas para um gel nutriente de algas, a fim de passá-las para o estado sólido. E o revestimento das formas com uma membrana protetora respirável.
O processo teve o apoio da Universidade de Amsterdã e do Instituto Francis Crick de pesquisa biomédica. Não se sabe exatamente quanto tempo as algas devem viver, embora elas possam durar até três semanas sem nenhum cuidado. No entanto, há amostras que vivem há um ano, de acordo com Bellamy.
Contudo, o vestido de algas vivas não deve ir à venda. “Não acho que seja possível entregar isso a um cliente ainda”, disse a designer ao Women’s Wear Daily. “É mais como uma peça de museu, porque realmente precisa de cuidados diários.”
