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Mutação em coronavírus de morcego acende alerta

Estudo revela que única alteração em proteína viral permite ao coronavírus desativar alarme imunológico humano.
Imagem: Unsplash

Uma única mutação genética pode ser a chave para entender como coronavírus de morcegos adquirem a capacidade de infectar humanos e causar doenças graves. Pesquisadores identificaram que a troca de um único aminoácido em uma proteína viral é suficiente para alterar completamente a forma como o vírus interage com o sistema imunológico de diferentes espécies.

O estudo, publicado na revista Cell Host & Microbe, foi conduzido por uma equipe de cientistas.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores compararam o SARS-CoV-2 com o RaTG13, um coronavírus geneticamente próximo que infecta morcegos, mas que não tem registro de infecção em humanos. A investigação analisou como cada vírus interage com proteínas do sistema imunológico em células pulmonares humanas e de morcegos.

A pesquisa foi viabilizada pela primeira linhagem de células pulmonares cultivadas em laboratório a partir do morcego ferradura-grande.

Proteína OrfB9 no centro da descoberta

O foco da análise recaiu sobre uma proteína viral chamada OrfB9. Embora as versões do SARS-CoV-2 e do RaTG13 dessa proteína sejam quase idênticas, com cerca de 100 aminoácidos cada, elas diferem em apenas um desses aminoácidos.

Essa diferença mínima produziu efeitos radicalmente distintos nas duas espécies. Em células pulmonares humanas, a versão da proteína OrfB9 presente no SARS-CoV-2 desativou um mecanismo de alarme imunológico, permitindo que o vírus se replicasse com mais eficiência. Nas células de morcego, a versão equivalente do RaTG13 ativou uma proteína imunológica que manteve o vírus sob controle.

Os resultados indicam que alterações genéticas extremamente pequenas podem determinar se um vírus permanece restrito ao hospedeiro animal de origem ou adquire a capacidade de prosperar em organismos humanos.

Sinal de alerta precoce

Ao ScienceDaily, Nevan J. Krogan, doutor da Universidade Califórnia, São Francisco, nos EUA, autor sênior do estudo, declarou que “a diferença entre um vírus que permanece nos morcegos e um que transborda para os humanos e causa doença catastrófica pode se resumir a mudanças genéticas surpreendentemente pequenas”. Ele acrescentou que, “ao mapear essas interações no nível das proteínas; em dois vírus e duas espécies; podemos ler as assinaturas moleculares que preveem o risco de spillover. É o tipo de sistema de alerta precoce que o mundo precisa”.

A pesquisa abre perspectivas para o monitoramento de vírus animais com potencial de cruzar a barreira entre espécies antes que desencadeiem surtos futuros. Ao identificar interações proteicas específicas associadas a eventos de spillover, os cientistas poderão reconhecer com antecedência vírus com capacidade de adaptação ao organismo humano.

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