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Urano e Netuno podem ser muito mais rochosos do que se pensava

Pesquisadores da Universidade de Zurich desenvolveram modelo que questiona classificação tradicional dos planetas como "gigantes de gelo".
Imagem: NASA/Reprodução

Cientistas da Universidade de Zurich, na Suíça, desenvolveram um novo modelo de simulação que indica a possibilidade de Urano e Netuno conterem maior quantidade de material rochoso do que gelo. A pesquisa questiona a classificação tradicional desses corpos celestes como “gigantes de gelo” no Sistema Solar.

A equipe suíça utilizou uma abordagem híbrida que combina modelos físicos e empíricos para analisar a composição interna dos dois planetas.

Os resultados mostram que tanto a composição predominantemente rochosa quanto a gelada são compatíveis com os dados disponíveis atualmente, conforme relatado pelo ScienceDaily.

Nova metodologia revela possibilidades diferentes para composição planetária

O estudo foi liderado pelo doutorando Luca Morf, autor principal do trabalho, e pela professora Ravit Helled. A técnica desenvolvida pela equipe começa com um perfil de densidade gerado aleatoriamente que representa o interior de cada planeta. Em seguida, os pesquisadores determinam o campo gravitacional correspondente às medições observacionais e usam essa informação para inferir a possível composição.

“A classificação de gigante de gelo é simplificada demais, já que Urano e Netuno ainda são pouco compreendidos”, afirma Luca Morf. “Modelos baseados em física tinham muitas suposições, enquanto modelos empíricos são simplistas demais. Combinamos ambas as abordagens para obter modelos de interior que são tanto ‘agnósticos’ ou imparciais e, ainda assim, fisicamente consistentes.”

O processo é repetido até que o modelo se ajuste melhor aos dados disponíveis. Essa metodologia permitiu à equipe demonstrar numericamente uma hipótese que a professora Helled havia proposto anteriormente.

“É algo que sugerimos pela primeira vez há quase 15 anos, e agora temos a estrutura numérica para demonstrá-lo”, afirma Ravit Helled, Professora da Universidade de Zurich e iniciadora do projeto.

Campos magnéticos incomuns explicados pelos novos modelos

Os resultados também oferecem novas perspectivas sobre os campos magnéticos peculiares de Urano e Netuno. Diferentemente da Terra, que apresenta dois polos magnéticos bem definidos, os campos desses planetas distantes são mais irregulares e possuem múltiplos polos.

“Nossos modelos têm camadas de ‘água iônica’ que geram dínamos magnéticos em locais que explicam os campos magnéticos não-dipolares observados. Também descobrimos que o campo magnético de Urano se origina mais profundamente do que o de Netuno”, explica Helled.

Desafios e limitações da pesquisa atual

A reavaliação ocorreu porque a classificação tradicional do Sistema Solar agrupa os planetas por composição: quatro planetas terrestres rochosos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), dois gigantes gasosos (Júpiter e Saturno) e dois gigantes de gelo (Urano e Netuno). Os pesquisadores descobriram que essa categorização pode não ser adequada.

Existem, no entanto, incertezas sobre o comportamento dos materiais nas condições extremas encontradas no núcleo desses planetas.

“Um dos principais problemas é que os físicos ainda mal compreendem como os materiais se comportam sob as condições exóticas de pressão e temperatura encontradas no coração de um planeta, isso poderia impactar nossos resultados”, explica Morf, que pretende estender o trabalho de modelagem.

Os cientistas reconhecem que apenas futuras missões espaciais poderão determinar definitivamente a composição desses planetas.

“Tanto Urano quanto Netuno poderiam ser gigantes rochosos ou gigantes de gelo, dependendo das suposições do modelo. Os dados atuais são insuficientes para distinguir os dois, e, portanto, precisamos de missões dedicadas a Urano e Netuno que possam revelar sua verdadeira natureza”, conclui Ravit Helled.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.