Urano está emitindo calor; origem ainda é desconhecida
Urano é um enigma para os cientistas há quase 40 anos pelo modo como o planeta aparenta estar emitindo pouco calor interno.
A missão Voyager 2, da NASA, que sobrevoou o distante planeta em 1986, detectou uma quantidade mínima de excesso de energia irradiando do gigante gelado. Aliás, a NASA considerou tal fenômeno uma anomalia entre planetas com tamanhos equivalentes ao de Urano.
No entanto, um estudo publicado por cientistas da Universidade de Houston, na última segunda-feira (14), sugere que Urano está, sim, emitindo calor, mas não é fácil de detectar.
Os cientistas analisaram décadas de pesquisas de dados de espaçonaves, bem como modelagem computadorizada avançada para demonstrar que Urano emite mais energia que recebe do Sol.
Além de estar emitindo calor, Urano continua passando pelo processo de resfriamento pós-formação planetária, de acordo com o estudo.
Urano está emitindo calor, mas origem ainda é um enigma
Mas, apesar da novidade, Urano ainda é o membro mais fora da curva do quarteto dos gigantes. Enquanto Júpiter, Saturno e Netuno emitem mais que o dobro da energia que recebem do Sol, Urano emite 12,5% a mais do calor.
Isso indica, portanto, que o planeta tem uma estrutura interna distinta, ou talvez sua história evolutiva seja diferente dos outros três gigantes.
A inclinação do eixo planetário, por exemplo, é responsável por estações com climas extremos que duram até 20 anos, influenciando como Urano emite calor.
A importância da descoberta tem muita relevância para a NASA, que prepara uma missão para Urano. O planeta é uma prioridade para exploração planetária da próxima década.
Desse modo, compreender como Urano armazena e emite calor pode aprimorar o desenvolvimento de sondas e espaçonaves, além de planejamento de missões.
Por fim, o estudo também é útil para inovações nos modelos de previsão climática não só de Urano, mas de todos os planetas, incluindo os que não estão no Sistema Solar.
