Criador de Game of Thrones processa OpenAI por direitos autorais
No final de outubro, a justiça dos EUA autorizou o prosseguimento de um processo judicial de George R.R. Martin, criador do universo de “Game of Thrones” contra a OpenAI.
A ação judicial coletiva, que também mira a Microsoft, acusa a OpenAI de violar direitos autorais. Além de Martin, os autores Michael Chabon, Ta-Nehisi Coates, Jia Tolentino e atriz Sarah Silverman processam a OpenAI, alegando que a empresa usou suas obras sem autorização no treinamento de IA.
George R.R. Martin decidiu processar a OpenAI após o ChatGPT gerar uma continuação da saga “As Crônicas de Gelo e de Fogo”, série de cinco livros que embasa “Game of Thrones”.
O juiz federal Sidney Stein, do distrito de Manhattan, afirmou que o ChatGPT gerou uma ideia de um livro da saga ainda sem conclusão, violando os direitos autorais do autor.
“Um juiz sensato consegue notar que o suposto texto possui elementos suficientes para justificar o processo”, diz a decisão de 18 páginas.
Desse modo, o juiz entendeu que o conteúdo é passível de um julgamento por júri ao apresentar possíveis infrações dos direitos autorais do autor.
O conteúdo em questão foi produzido por uma petição dos advogados de George R.R. Martin, que pediram ao ChatGPT para elaborar um esboço de uma sequência de “A Fúria dos Reis”.
No entanto, os advogados solicitaram ao chatbot que a sequência divergisse de “A Tormenta de Espadas”, a verdadeira sequência do segundo livro da saga. Os autos do processo mostram que o ChatGPT respondeu com entusiasmo, propondo uma obra chamada “A Dance of Shadows”.
O esboço apresenta narrativas inéditas, com uma antiga magia ligada a dragões, bem como uma descendente da família Targaryen disputando o trono, mas não era Daenerys.
OpenAI pode se safar do processo alegando fair use de “Game of Thrones”
A resposta do ChatGPT continha 580 palavras, contendo três grandes arcos narrativos. Portanto, para a justiça, o nível de detalhe da resposta foi suficiente para acatar as alegações de violações de direitos autorais e prosseguir com o processo judicial.
No entanto, o juiz afirmou que vai determinar posteriormente se a OpenAI se enquadra em “fair use” pelo uso das obras de George R.R. Martin, envolvendo especificamente os livros de “Game of Thrones”.
Mas não é apenas a OpenAI que se envolve em polêmica com “Game of Thrones”, já que o próprio criador da franquia foi alvo de críticas por um suposto uso de arte gerada por IA.
Na edição de aniversário de 15 anos do livro “O Festim dos Corvos”, fãs da franquia notaram vários erros em imagens de personagens.
Após “O Festim dos Corvos”, Martin lançou “A Dança dos Dragões”, em 2011, que não conclui a saga. Após 15 anos, alguns fãs desistiram da sequência, enquanto outros ainda aguardam “Os Ventos de Inverno”.
