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Planeta-anão do Sistema Solar pode ter sido lar de vida

Evidências de ambiente propício para vida em Ceres são reveladas por estudo que analisou dados da missão Dawn e modelos térmicos da NASA.
Imagem: NASA/Reprodução

A missão Dawn, da NASA, que orbitou o planeta-anão Ceres entre 2015 e 2018, descobriu sinais de um passado com potencial para a vida. Entre as descobertas da missão estão manchas transparentes, identificadas como depósitos de sal.

Tais depósitos são, de acordo com a NASA, possíveis remanescentes de salmoura líquida que surgiu do interior do planeta e, posteriormente, se evaporou.

Em 2020, análises posteriores dos dados da missão indicaram uma reserva subaquática de salmoura como fonte desse líquido salgado. Além disso, a missão também detectou compostos orgânicos de carbono no planeta-anão, ingredientes cruciais para determinar a possibilidade de vida.

No entanto, apesar das evidências de água e materiais orgânicos, o terceiro componente essencial para a vida continuou um mistério até a publicação de um estudo na última quarta-feira (20).

No estudo, cientistas da Universidade do Estado do Arizona usaram modelagem térmica e química para identificar evidências de energia em Ceres. Os pesquisadores simularam a evolução do interior do planeta-anão.

A modelagem demonstra que, há cerca de 2,5 bilhões de anos, a decomposição radioativa no núcleo rochoso do planeta desencadeou a circulação hidrotermal. Esse fenômeno levou gases como hidrogênio e metano à superfície por meio de fluidos quentes.

Na Terra, sistemas similares aos do planeta-anão são fundamentais para possibilitar a vida microbiana ao redor de fontes oceânicas.

Descoberta em planeta-anão pode expandir busca por vida no Sistema Solar

Sam Courville, principal autor do estudo, destaca que a descoberta pode ter “consequências enormes”.

“Se o oceano de Ceres já teve atividade hidrotermal, certamente, haveria um estimulante químico para micróbios”, afirmou o cientista.

Os modelos indicam que o auge da janela de vida em Ceres ocorreu entre 2,5 e 4 bilhões de anos, após o resfriamento do planeta-anão. Atualmente, Ceres é quase todo congelado, embora algumas salmouras sobrevivam abaixo da superfície.

Além de Ceres, o estudo propõe que o fenômeno ocorreu em outros corpos congelados sem aquecimento de maré durante suas respectivas formações.

Desse modo, a evidência de que houve “uma janela de vida” no planeta-anão expande a lista de ambientes possivelmente habitáveis, além da lua Europa, de Júpiter.

O estudo também redefine o critério de habitabilidade planetária, que se concentra na presença de água líquida, ressaltando a importância de materiais orgânicos e fontes de energia.

Agora, Ceres faz parte de um grupo seleto do Sistema Solar que preenchia os três critérios, ou melhor, preencheu, já que estamos falando de um passado distante.

O estudo também contribui para a exploração astrobiológica ao explorar a história dinâmica do planeta-anão, sugerindo que, até mesmo, pequenos planetas podem ter os ingredientes necessários para a vida.

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira

Jornalista e mineiro. Já escreveu sobre tecnologia, games e ciência no site Hardware.com.br e outros sites especializados, mas gosta mesmo de falar sobre os Beatles.