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IA cria “turistas do tempo” para ensinar história no YouTube

Canais com personagens de IA transformam Roma, Titanic e Londres Tudor em vlogs, mas exigem rigor histórico.

IA cria "turistas do tempo" para ensinar história na internet

Criadores de conteúdo estão usando inteligência artificial para transformar períodos históricos em vlogs, com personagens que “viajam” para Roma Antiga, Pompeia e até o Titanic. O formato viralizou nas redes e reacendeu o debate se a IA pode ajudar a ensinar história sem virar conteúdo descartável.

Quando o passado ganha cara de vlog

A cena parece saída de um vídeo de viagem. Uma jovem de jaqueta verde olha para a câmera e diz que acabou de chegar à Londres Tudor, em 1536. Ela planeja visitar uma hospedaria, circular pelo mercado e encontrar Henrique VIII.

A personagem não existe. Ela faz parte de uma nova leva de “influencers históricas” geradas por IA, que narram visitas a épocas famosas como se estivessem produzindo conteúdo para YouTube, Instagram ou TikTok.

Um dos canais mais conhecidos é Chloe VS History. Ele soma mais de 610 mil seguidores no Instagram e 15 milhões de visualizações no YouTube. A personagem já provou torta de enguia em um mercado Tudor, explorou suítes de primeira classe no Titanic e entrou em uma termas romana. Veja:

Por que isso prende a atenção

O criador do canal, Jonathan Laramy, de 32 anos, afirma que quer aproximar jovens de diferentes períodos históricos. Para ele, a história é muito visual, mas a escola costuma apresentá-la por livros e textos.

“Por que não usar a tecnologia que temos para dar vida a isso de uma forma realmente visceral?”, afirmou Laramy.

A lógica é simples. Vlogs funcionam porque o público cria vínculo com um personagem. Laramy aplica esse formato a eventos históricos, com uma camada de encenação e curiosidade.

Outros canais já replicam a fórmula, como Janella Through Time, Nova VS History e Esmetimetravels. Entre os destinos populares estão Roma Antiga, Pompeia, o Velho Oeste e a Inglaterra durante a Peste Negra.

A tecnologia também erra

Laramy usa o Seedance 2.0 para criar os vídeos. Ele afirma que refina os resultados com fontes históricas, artigos acadêmicos e desenhos da época.

Mesmo assim, a IA tropeça. Em vídeos sobre Roma Antiga, por exemplo, já surgiram personagens usando óculos escuros ou relógios. Isso acontece porque modelos de IA aprendem com muitos dados modernos.

Ou seja, esse erro pode reduzir a confiança do conteúdo e exige revisão humana cuidadosa.

Entre educação e “AI slop”

O formato também enfrenta críticas. Algumas pessoas chamam esses vídeos de “AI slop”, expressão usada para conteúdos de baixa qualidade produzidos em massa por IA.

Laramy diz entender a reação, mas defende o uso positivo da tecnologia. Para ele, a IA permite “costurar o passado” e torná-lo mais vivo.

Ao The Guardian, o historiador Adam Smith, da Universidade de Oxford, vê potencial no formato. Ele compara os vídeos a obras populares como Horrible Histories, que tornam a história mais engraçada, imersiva e acessível.

Smith afirma que esses vlogs não substituem livros acadêmicos ou museus. Eles ocupam o papel de despertar interesse, criar identificação e abrir uma porta de entrada.

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