IA inaugura a era dos aplicativos feitos por qualquer pessoa
A inteligência artificial abriu uma nova fase na criação de software: a dos aplicativos pessoais. Desde o fim de 2025, ferramentas como Claude Code, Codex, GitHub Copilot, Cursor, Lovable e Replit passaram a permitir que usuários criem programas sob medida com comandos em linguagem comum.
O fenômeno ganhou o apelido de “vibe coding”, expressão associada ao pesquisador Andrej Karpathy. A ideia é, em vez de escrever cada linha de código, a pessoa descreve o que quer, testa o resultado e pede ajustes à IA.
O app que só precisa servir para uma pessoa
Durante décadas, programas nasceram para atender grandes grupos. Por isso, muitos aplicativos funcionam bem para quase todo mundo, mas raramente encaixam perfeitamente na rotina de alguém.
A promessa do software pessoal muda esse jogo. Um usuário pode criar um app de orçamento familiar, uma lista de tarefas com regras próprias ou um planejador de viagens. Ele também pode usar uma ferramenta uma única vez, sem assinatura, anúncios ou e-mails promocionais.
Ou seja, o software deixa de parecer uma roupa de tamanho único. Ele começa a funcionar como uma peça ajustada no corpo de quem usa.
A força dos “cozinheiros caseiros” do código
De acordo com o The Verge, o autor e tecnólogo Robin Sloan já havia comparado um app pessoal a uma “refeição feita em casa”. Ele criou um mensageiro simples para sua família e celebrou o fato de não depender de redesenhos inesperados, anúncios ou mudanças de estratégia.
Agora, com IA, essa lógica chegou a mais pessoas. Sloan também usa ferramentas desse tipo para criar pequenos scripts em sua empresa de azeite, incluindo soluções que juntam dados de produto, clientes e etiquetas de envio.
Esses programas podem parecer improvisados, mas resolvem problemas reais. O mercado potencial, em muitos casos, cabe em uma única pessoa.
O crescimento já aparece nas plataformas
O avanço não ficou restrito aos entusiastas. O número de novos aplicativos na App Store cresceu 30% em 2025, após quase uma década de queda lenta. A loja da Apple tinha quase 2 milhões de apps no fim de 2024.
O GitHub também registrou seu ano de crescimento mais rápido em 2025. Segundo a plataforma, 80% dos novos usuários utilizam o agente de programação Copilot já na primeira semana.
Nem tudo vira revolução sem risco
Apps criados por IA ainda têm limites claros. Eles podem falhar, ter problemas de segurança e não contam com equipe de suporte. Empresas grandes dificilmente trocarão sistemas corporativos por ferramentas improvisadas por departamentos sem apoio técnico.
Também existe o problema do gosto. A IA pode criar interfaces ruins, exagerar em elementos visuais e entrar em ciclos de tentativa e erro. Sem uma boa noção do que deseja, o usuário pode acabar com um app confuso.
Mesmo assim, a mudança é relevante. O futuro talvez não esteja em substituir todos os aplicativos profissionais, mas em permitir que cada pessoa adapte melhor as ferramentas que já usa.
