Mike Griffin, ex-administrador da NASA, pediu o cancelamento do programa Artemis. Ele fez a declaração na última quinta-feira (4) durante audiência de um subcomitê da Câmara dos Representantes para Ciência, Espaço e Tecnologia em Washington, onde especialistas discutiram como os EUA poderiam manter sua liderança espacial frente à China.
O subcomitê convocou especialistas para avaliar como aprimorar o Programa Artemis e alcançar a Lua mais rapidamente. Isso em um momento em que legisladores norte-americanos começam a perceber o risco de perder a corrida lunar para os chineses.
De acordo com o Ars Technica, as críticas de Griffin refletem preocupações crescentes sobre a viabilidade da atual estratégia da NASA para retornar à superfície lunar.
Críticas ao modelo “sustentável” da NASA
Griffin questionou principalmente a dependência de módulos lunares reutilizáveis que precisam ser reabastecidos no espaço. Ele destacou que a tecnologia ainda não teve demonstração em ambiente espacial.
“A conclusão é que uma arquitetura que requer um alto número de voos de reabastecimento em órbita terrestre baixa (ninguém sabe realmente quantos) que usa uma tecnologia que ainda não foi demonstrada no espaço, é muito improvável que funcione… improvável ao ponto em que direi que não pode funcionar”, afirmou Griffin durante seu depoimento.
O ex-administrador também comparou as estratégias espaciais dos EUA e da China: “Manter-se fiel a um plano é importante quando o plano faz sentido. Isso porque a China está seguindo um plano que faz sentido. Na verdade, parece muito com o que os Estados Unidos fizeram para o Apollo. Comprovadamente, aquilo funcionou. Manter-se fiel a um plano que não funcionará para Artemis III e além não faz sentido.”
Recomendação de cancelamento e reinício
Diante das dificuldades identificadas, Griffin fez uma recomendação contundente. “A missão Artemis III e as subsequentes deveriam ser canceladas e deveríamos recomeçar, procedendo com toda a velocidade deliberada”.
Ele sugeriu uma abordagem semelhante à “Apollo com Esteroides”, que ele defendeu duas décadas atrás. Porém, os congressistas consideraram a proposta financeiramente inviável dentro do orçamento da NASA na época.
Painel de especialistas e financiamento
Além de Griffin, o painel incluiu, por exemplo, Clayton Swope do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e Dean Cheng do Instituto Potomac para Estudos de Políticas. A audiência destacou que, apesar de um aporte de US$ 10 bilhões no orçamento da NASA durante o verão de 2025, praticamente nenhum recurso foi destinado aos esforços necessários para levar humanos à Lua ainda nesta década.
Os debates ocorreram na sede do Congresso dos EUA. Nele, congressistas realizam sessões para supervisionar as atividades da NASA e definir prioridades para o programa espacial do país.
Desafios de continuidade e responsabilização
Aliás, alguns congressistas observaram que a China tem sido mais eficiente no estabelecimento e manutenção de planos de longo prazo para exploração espacial. Em contrapartida, a NASA tem enfrentado constantes mudanças de direção devido a alterações na liderança da Casa Branca e do Congresso.
Porém, dados apresentados na audiência mostraram que muitos dos principais programas de exploração da NASA, incluindo a nave Orion, o foguete SSL e seus sistemas terrestres, atrasaram anos. Além disso, ultrapassaram o orçamento em bilhões de dólares nos últimos 15 anos.
Recomendações para o futuro
Cheng enfatizou a necessidade de maior responsabilização. “Primeiro, precisa ser bipartidário, para deixar muito claro em todo o nosso sistema que isso é algo que todos estão buscando. E segundo, que haja consequências, orçamentárias, legais e outras, para a agência, para as empresas fornecedoras. Se eles não entregarem no prazo e dentro do orçamento, que não seja um ‘bem, tudo bem, vamos tentar novamente no próximo ano’. Precisa haver consequências.”
Por fim, espera-se que o Congresso considere essas recomendações ao elaborar a próxima legislação de autorização da NASA. Porém, isso pode incluir mecanismos mais rígidos de responsabilização, assim como uma possível reformulação do Programa Artemis.
