Apple defende Google em briga sobre IA no Android
A Comissão Europeia determinou que o Google deve conceder a assistentes de inteligência artificial de terceiros o mesmo nível de acesso ao sistema Android que o Gemini possui. A decisão foi comunicada em janeiro de 2026. A Apple manifestou apoio ao Google contra as medidas propostas pela comissão.
As determinações fazem parte dos esforços da Comissão Europeia para garantir que o Google cumpra a Lei dos Mercados Digitais. A comissão exigiu que o Google entregue “dados anonimizados de classificação, consulta, clique e visualização mantidos pelo Google Search” a mecanismos de busca concorrentes. De acordo com o Engadget, a controvérsia evidencia o crescente embate entre as gigantes de tecnologia e os reguladores europeus sobre o controle de ecossistemas digitais.
A Comissão Europeia divulgou em abril de 2026 um conjunto de regras preliminares com as medidas específicas que o Google deve adotar. A Apple enviou comentários oficiais em resposta ao chamado da comissão para manifestações sobre as regras preliminares.
A comissão afirmou que o objetivo das medidas é proporcionar a provedores terceiros “uma oportunidade igual de inovar e competir no cenário de IA em rápida evolução em dispositivos móveis inteligentes”. A abertura do Android manteria o mercado de IA aberto e promoveria a inovação no setor, segundo a Comissão Europeia.
O advogado do Google argumentou que as medidas comprometeriam “a privacidade e segurança críticas para os usuários europeus”. A empresa afirmou que as determinações aumentariam desnecessariamente os custos.
Apple defende Google
A Apple, segundo a Reuters, ecoou a declaração do Google. A empresa afirmou que permitir acesso completo de serviços de IA concorrentes ao Android comprometeria a privacidade dos usuários europeus. Esses serviços poderiam interagir com os aplicativos que as pessoas usam para enviar e-mails, pedir comida ou compartilhar fotos.
“As medidas preliminares levantam preocupações urgentes e sérias. Se confirmadas, criariam riscos profundos para a privacidade, segurança e proteção do usuário, bem como para a integridade e desempenho do dispositivo”, escreveu a Apple, conforme reportado. A empresa acrescentou que os riscos são elevados. Os sistemas de IA ainda estão evoluindo e possuem capacidades e comportamentos que permanecem imprevisíveis.
“A Comissão Europeia está substituindo julgamentos feitos pelos engenheiros do Google por seu próprio julgamento baseado em menos de três meses de trabalho”, escreveu a empresa. A Apple questionou o pouco tempo que a comissão teve para elaborar as regras preliminares. “É ainda mais perigoso dado que o único valor que pode ser discernido das medidas preliminares orientando este trabalho parece ser acesso aberto e irrestrito.”
A Apple admitiu ter forte interesse no caso. A empresa também está sendo investigada pela comissão. A Apple se opõe há tempos à Lei dos Mercados Digitais. A empresa é obrigada a permitir marketplaces de terceiros para aplicativos em seu sistema operacional. A Apple havia solicitado anteriormente à comissão que revogasse a lei.
Em janeiro de 2026, a Apple acusou o órgão executivo da União Europeia de usar “táticas políticas de atraso” para investigar e multar a empresa. A acusação ocorreu após o fechamento de uma loja alternativa de aplicativos.
A Comissão Europeia está em processo de análise dos comentários recebidos sobre as regras preliminares. A comissão confirmará as medidas finais que o Google deverá adotar após a análise. As determinações afetam as operações do Google e potencialmente da Apple na União Europeia. As medidas impactam especificamente os dispositivos móveis que utilizam o sistema Android no território europeu.
