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Hábito comum antes de dormir pode sabotar seu sono

Uso do celular na cama, principalmente com notícias negativas, pode aumentar o alerta mental, piorar o sono e afetar a saúde no dia seguinte.

Hábito comum antes de dormir pode sabotar seu sono

Mexer no celular antes de dormir pode parecer uma forma simples de relaxar, mas especialistas em sono apontam o efeito contrário. O hábito conhecido como doomscrolling pode dificultar o sono e reduzir sua qualidade.

O que é doomscrolling

Doomscrolling é o comportamento de ficar rolando notícias, redes sociais ou acontecimentos negativos no celular, tablet ou computador. O termo ganhou força durante a pandemia, quando muita gente passou a acompanhar crises em tempo real antes de dormir.

A prática parece inofensiva. A pessoa deita, pega o celular e tenta “desligar” vendo o que aconteceu no mundo. O problema é que o cérebro pode interpretar esse conteúdo como sinal de perigo, não de descanso.

O que os dados mostram

Em uma pesquisa online feita em junho de 2025, a Academia Americana de Medicina do Sono, nos EUA, ouviu 2.007 adultos. Entre eles, 38% disseram que o doomscrolling piora o sono durante a noite.

O impacto apareceu com mais força entre jovens de 18 a 24 anos. Nesse grupo, 46% relataram problemas de sono ligados ao hábito de rolar a tela antes de dormir.

Outro estudo encontrou resultado parecido. Pesquisadores observaram que o doomscrolling pode aumentar ansiedade, incerteza, medo e sensação de sofrimento. Isso porque esses estados emocionais dificultam pegar no sono e pioram a qualidade do descanso.

Por que o celular atrapalha tanto

O problema tem dois lados. O primeiro envolve a luz emitida pelas telas, que pode confundir o relógio biológico. Esse sistema interno ajuda o corpo a entender quando deve ficar alerta e quando deve desacelerar.

O segundo lado envolve o conteúdo. Notícias negativas, conflitos, crises e publicações estressantes podem deixar o cérebro em modo de vigilância. Ou seja, a pessoa quer dormir, mas o corpo recebe sinais de que precisa continuar atento.

No dia seguinte, essa noite ruim pode cobrar a conta. De acordo com a Health, a pessoa passa a ter dificuldade de concentração, dor de cabeça, mau humor, sonolência e menor clareza mental, por exemplo.

Quando o hábito vira risco

Se o doomscrolling vira rotina, a perda de sono pode aumentar riscos para a saúde. Isso porque noites mal dormidas são associadas a maior chance de pressão alta, doença cardíaca e diabetes.

Também há impacto emocional. Pesquisadores relacionaram o hábito a ansiedade, estresse, solidão, problemas de atenção, desesperança e até pensamentos suicidas. Isso porque a prática ainda pode alimentar o medo de ficar por fora das novidades, conhecido como FOMO.

Como reduzir o problema

Especialistas recomendam criar limites claros para o uso do celular à noite. Uma medida simples é evitar telas entre 30 minutos e 1 hora antes de dormir.

Também ajuda tirar o celular da cama, desativar notificações, usar limite de tempo para redes sociais ou colocar o aparelho em outro cômodo. Ler um livro, ouvir música, montar um quebra-cabeça ou praticar respiração profunda, por exemplo, pode preparar melhor o corpo para o sono.

Porém, a ideia não é abandonar a tecnologia. É impedir que a última coisa do dia seja uma avalanche de alerta, ansiedade e tela brilhando no rosto.

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