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Hábito comum antes de dormir pode sabotar seu sono

Uso do celular na cama, principalmente com notícias negativas, pode aumentar o alerta mental, piorar o sono e afetar a saúde no dia seguinte.
Imagem: Pixabay

Mexer no celular antes de dormir pode parecer uma forma simples de relaxar, mas especialistas em sono apontam o efeito contrário. O hábito conhecido como doomscrolling pode dificultar o sono e reduzir sua qualidade.

O que é doomscrolling

Doomscrolling é o comportamento de ficar rolando notícias, redes sociais ou acontecimentos negativos no celular, tablet ou computador. O termo ganhou força durante a pandemia, quando muita gente passou a acompanhar crises em tempo real antes de dormir.

A prática parece inofensiva. A pessoa deita, pega o celular e tenta “desligar” vendo o que aconteceu no mundo. O problema é que o cérebro pode interpretar esse conteúdo como sinal de perigo, não de descanso.

O que os dados mostram

Em uma pesquisa online feita em junho de 2025, a Academia Americana de Medicina do Sono, nos EUA, ouviu 2.007 adultos. Entre eles, 38% disseram que o doomscrolling piora o sono durante a noite.

O impacto apareceu com mais força entre jovens de 18 a 24 anos. Nesse grupo, 46% relataram problemas de sono ligados ao hábito de rolar a tela antes de dormir.

Outro estudo encontrou resultado parecido. Pesquisadores observaram que o doomscrolling pode aumentar ansiedade, incerteza, medo e sensação de sofrimento. Isso porque esses estados emocionais dificultam pegar no sono e pioram a qualidade do descanso.

Por que o celular atrapalha tanto

O problema tem dois lados. O primeiro envolve a luz emitida pelas telas, que pode confundir o relógio biológico. Esse sistema interno ajuda o corpo a entender quando deve ficar alerta e quando deve desacelerar.

O segundo lado envolve o conteúdo. Notícias negativas, conflitos, crises e publicações estressantes podem deixar o cérebro em modo de vigilância. Ou seja, a pessoa quer dormir, mas o corpo recebe sinais de que precisa continuar atento.

No dia seguinte, essa noite ruim pode cobrar a conta. De acordo com a Health, a pessoa passa a ter dificuldade de concentração, dor de cabeça, mau humor, sonolência e menor clareza mental, por exemplo.

Quando o hábito vira risco

Se o doomscrolling vira rotina, a perda de sono pode aumentar riscos para a saúde. Isso porque noites mal dormidas são associadas a maior chance de pressão alta, doença cardíaca e diabetes.

Também há impacto emocional. Pesquisadores relacionaram o hábito a ansiedade, estresse, solidão, problemas de atenção, desesperança e até pensamentos suicidas. Isso porque a prática ainda pode alimentar o medo de ficar por fora das novidades, conhecido como FOMO.

Como reduzir o problema

Especialistas recomendam criar limites claros para o uso do celular à noite. Uma medida simples é evitar telas entre 30 minutos e 1 hora antes de dormir.

Também ajuda tirar o celular da cama, desativar notificações, usar limite de tempo para redes sociais ou colocar o aparelho em outro cômodo. Ler um livro, ouvir música, montar um quebra-cabeça ou praticar respiração profunda, por exemplo, pode preparar melhor o corpo para o sono.

Porém, a ideia não é abandonar a tecnologia. É impedir que a última coisa do dia seja uma avalanche de alerta, ansiedade e tela brilhando no rosto.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.