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Cortes de Trump podem fazer EUA perderem supertelescópio

Graças aos cortes promovidos pelo presidente republicano, o supertelescópio pode ser instalado nas Ilhas Canárias, na Espanha
Imagem: The White House/Reprodução

Os cortes realizados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para enxugar a máquina pública norte-americana estão começando a atingir a pesquisa astronômica não apenas do país, mas também do resto do mundo. Na última semana, a ministra da Ciência da Espanha, Diana Morant, anunciou que o país investirá cerca de US$ 471 milhões para salvar o Telescópio de Trinta Metros (TMT), um supertelescópio que está em construção e que os EUA planejava instalar em uma montanha no Havaí.

“A Espanha quer e pode ser o lar do futuro da astronomia e da astrofísica”, disse. “Temos a capacidade e a vontade política para isso”, completou em um comunicado.

Se a oferta da Espanha for aceita, a equipe do TMT transferirá o telescópio para a ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias. “Se concluído, envolverá não apenas a construção do telescópio, mas também décadas de operações científicas, a criação de empregos qualificados e um impulso econômico e social para a ilha”, disse Morant.

Segundo o projeto original (que ainda pode modificar), o TMT terá um espelho primário com 30 metros de diâmetro. Ele comporá 492 segmentos hexagonais (espelhos) de 1,4 metros cada, montando-os de forma a criar uma única superfície reflexiva.

Além disso, cada segmento é conectado a atuadores mecânicos, que garantem que os espelhos estejam perfeitamente alinhados entre si. Assim, formando uma única superfície lisa, sem descontinuidade entre um segmento e o próximo.

A cúpula projetada para proteger o telescópio deve ser parecido com um grande olho, cuja abertura seria a córnea e o telescópio espelharia a retina. Assim, suas dimensões serão de 55 m de altura e 65 m de diâmetro.

Reação aos cortes de Trump vão além do supertelescópio

No começo da semana, atuais e ex-funcionários da NASA publicaram uma carta aberta pedindo que os líderes da agência espacial que não implementem os cortes solicitados pelo governo Donald Trump.

“Somos obrigados a nos manifestar quando nossa liderança prioriza o impulso político em detrimento da segurança humana, do avanço científico e do uso eficiente dos recursos públicos”, escreveram os funcionários.

Em 2023, o lucro da NASA injetou US$ 75 bilhões na economia dos EUA

Kennedy Space Center, da NASA. Foto: Reprodução

Em sua solicitação orçamentária ao Congresso em junho, o governo Trump propôs cortar o orçamento da NASA em quase 25%. Dessa forma, missões do Sistema Solar e astrofísica, enfrentariam um corte de 47%.

Além disso, desligariam e descartariam cerca de 19 missões científicas atualmente em operação. Isso inclui o Observatório de Raios-X Chandra, a missão Juno em Júpiter e os dois Observatórios Orbitais de Carbono.

Em resposta, Bethany Stevens, a secretária de imprensa da NASA, justificou que a agência nunca comprometeria a segurança do país ou das missões. “Para garantir que a NASA cumpra seu papel para o povo americano, estamos continuamente avaliando os ciclos de vida das missões, não para manter missões desatualizadas ou de menor prioridade”, afirmou Stevens.

Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.