Como a AMD quer disputar a corrida global da IA?
Nossa entrevista da semana é com Sergio Santos, Diretor Geral da AMD no Brasil. O executivo, que tem passagem pela Microsoft, possui mais de 25 anos de experiência no segmento de tecnologia e atualmente lidera as operações da empresa, uma das principais desenvolvedoras de hardware do mundo, em território nacional.
Nos últimos anos, Santos passou a comandar as estratégias de inteligência artificial (IA) e data centers da organização. O objetivo é manter a empresa relevante no cenário global e suprir a atual demanda por infraestrutura de IA.
Confira a seguir:
Giz Brasil: Durante a CES 2026, Lisa Su, CEO da AMD, afirmou que o número de usuários de IA deve chegar a 5 bilhões em 2030. Quais ações a AMD está tomando para se preparar para atender esta demanda tão significativa nos próximos anos?
Sergio Santos: A AMD vem se preparando para essa demanda há vários anos, desde que identificou a IA como uma das maiores transformações tecnológicas desde a internet. A estratégia passa pela expansão do portfólio para oferecer soluções de IA de ponta a ponta, do data center aos dispositivos finais, combinando avanços em hardware com investimentos em software, especialmente na plataforma aberta ROCm, que permite à comunidade desenvolver e otimizar modelos de IA sobre a arquitetura da AMD.
Giz Brasil: O anúncio do acordo para fornecimento de chips Instinct MI400 para a OpenAI repercutiu bastante no mundo da tecnologia. Esse acordo sinaliza que a AMD agora é capaz de atender à demanda de treinamento de modelos de fronteira, e não apenas de inferência?
Sergio: Sim. A AMD já possui hoje soluções completas para treinamento e inferência de grandes modelos de linguagem. Os aceleradores Instinct, combinados com a plataforma ROCm, foram desenvolvidos para suportar cargas de trabalho avançadas de IA em larga escala, e o acordo com a OpenAI reforça essa capacidade, sem representar um caso isolado dentro do portfólio de clientes e parceiros da empresa.
Giz Brasil: A AMD afirmou que os chips Instinct MI500, com lançamento previsto para 2027, terão até mil vezes mais desempenho em relação aos atuais MI300. Quais são as atualizações tecnológicas que garantem um salto de performance tão significativo?
Sergio: A AMD ainda não divulgou detalhes técnicos sobre o Instinct MI500. A menção ao produto faz parte do roadmap de longo prazo da empresa e reforça a evolução contínua da plataforma Instinct. No curto prazo, a próxima geração com informações públicas é o Instinct MI450, que, segundo a própria Lisa Su, será a primeira GPU da AMD fabricada em litografia da classe de 2 nanômetros.
O MI450 foi projetado do zero para IA, com foco em treinamento e inferência de grandes modelos de linguagem, além de soluções em escala de rack para data centers. Esses avanços em processo de fabricação, integração e eficiência já indicam o ritmo de crescimento de desempenho da linha, enquanto os detalhes do MI500 serão divulgados mais próximos de seu lançamento.
Giz Brasil: A nova linha Ryzen AI Embedded X100 foi apresentada com foco em IA física, o que inclui automóveis, sistemas de automação industrial e até robótica humanoide. Como esses processadores auxiliam no desenvolvimento da IA física na prática?
Sergio: Os processadores Ryzen AI Embedded X100 levam capacidade de processamento de IA diretamente para os dispositivos finais, permitindo executar modelos localmente, sem depender de conexão constante com a internet ou de data centers. Isso reduz latência e aumenta a confiabilidade em aplicações como automóveis, automação industrial e robótica, reforçando a estratégia da AMD de levar IA de ponta a ponta, do data center aos endpoints.
