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“Cachorro-fantasma” raro é flagrado na Amazônia

Estudo de 25 anos reuniu 594 registros do raro cão amazônico e revelou que ele pode ser mais comum do que parecia.

“Cachorro-fantasma” raro é flagrado na Amazônia

Pesquisadores registraram em câmeras de trilha o raro cão de orelhas curtas, conhecido como “cachorro-fantasma” da Amazônia. O estudo analisou áreas de baixa altitude na Bolívia e no Peru ao longo de 25 anos e saiu na revista Neotropical Biology and Conservation.

Por que essa descoberta importa

O cão de orelhas curtas está entre os carnívoros menos conhecidos da América Latina. Ele também figura entre os cães selvagens mais difíceis de estudar no mundo.

A dificuldade não vem apenas da raridade. O animal evita pessoas, escuta muito bem e tem olfato aguçado. Essa combinação faz dele um habitante discreto da floresta, quase sempre fora do alcance humano.

As câmeras de trilha mudaram esse cenário. Elas registram animais sem a presença direta dos pesquisadores e reduzem a interferência no comportamento natural. Assista:

O que as câmeras encontraram

A equipe instalou câmeras remotas em regiões amazônicas da Bolívia e do Peru. O esforço acumulou 594 eventos fotográficos independentes do cão de orelhas curtas.

Esse conjunto representa a maior coleção de registros confirmados da espécie em toda sua área de ocorrência.

Robert Wallace, autor principal do estudo, afirmou ao PetaPixel que o trabalho mostra como tecnologia de conservação e sensoriamento remoto podem revelar dados sobre espécies pouco conhecidas.

O avanço veio principalmente com o uso intensivo de armadilhas fotográficas. Elas funcionaram como olhos discretos no chão da floresta.

Como é o “cachorro fantasma”

As imagens mostram um animal de pelagem escura e densa. A cor varia de cinza quase preto a marrom avermelhado.

O cão tem cabeça grande, orelhas pequenas e arredondadas, pernas curtas e cauda longa e volumosa. Um detalhe chama atenção é que suas patas têm membranas parciais entre os dedos.

Essa característica torna a espécie única entre os canídeos amazônicos citados no estudo. O traço sugere adaptação a ambientes úmidos.

Ele ainda é raro, mas não tanto quanto se pensava

O resultado mais inesperado veio da estimativa de abundância. Os pesquisadores calculam densidade de 15 indivíduos por 100 quilômetros quadrados.

“Apesar de ser um animal quase lendário, os cães de orelhas curtas são muito mais abundantes do que imaginávamos”, apontaram os pesquisadores.

A espécie segue rara. Ainda assim, os registros indicam que ela aparece com mais frequência que grandes carnívoros como onças-pintadas.

O cão de orelhas curtas fica abaixo de carnívoros médios como jaguatiricas em abundância.

Um animal ativo durante o dia

O estudo também indicou que o “cachorro fantasma” tem hábitos principalmente diurnos. A maior atividade ocorreu entre 6h e 12h.

Esse dado ajuda pesquisadores a ajustar futuras estratégias de monitoramento. Também reforça o valor das câmeras, que conseguem registrar padrões de horário sem perseguir o animal.

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