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Você sabia que elefantes têm bigode? E ele tem uma função

Pesquisadores também descobriram que pelos da tromba de elefantes asiáticos tem "inteligência material"
Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

Pesquisadores do Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes, na Alemanha, descobriram que os bigodes presentes na tromba dos elefantes asiáticos funcionam como sensores táteis sofisticados. A pesquisa revela que esses pelos possuem um gradiente único de rigidez que permite aos animais detectar com precisão onde ocorre o contato, conferindo o que os cientistas chamam de “inteligência material”, segundo um novo artigo publicado na revista Science.

O estudo foi conduzido por Andrew Schulz, pesquisador de pós-doutorado, junto com outros cientistas do instituto. A equipe utilizou técnicas avançadas como imagens de microtomografia computadorizada (micro-CT), microscopia eletrônica, testes mecânicos e modelagem computacional para analisar detalhadamente os bigodes dos elefantes asiáticos. De acordo com o Ars Technica, esta pesquisa representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos sensoriais desses mamíferos.

Esta descoberta se baseia em pesquisas anteriores sobre vibrissas (órgãos sensoriais próprios de certos animais) em mamíferos. Existe uma longa história de estudos sobre bigodes em diferentes espécies. Animais como gatos, esquilos, peixes-boi, focas e outros compartilham anatomias básicas de bigodes surpreendentemente semelhantes, conforme apontam estudos anteriores. Tais pesquisas podem eventualmente contribuir para o desenvolvimento de sensores táteis em robótica e ampliar o conhecimento sobre o toque humano.

Imagem: MPI-IS/A. Posada and Heidelberg Zoo

Estrutura única e função especializada

As análises realizadas no Instituto Max Planck revelaram características estruturais importantes. Os bigodes de elefante são grossos e em forma de lâmina, diferentemente dos afilados encontrados em roedores. Apresentam estrutura porosa, com base oca e diversos canais internos, semelhantes aos encontrados em cascos de cavalos ou chifres de ovelhas.

Esta configuração torna os bigodes mais resistentes a impactos e menos propensos a quebras, característica particularmente importante, pois uma vez danificados, não se regeneram.

Gradiente de rigidez como mapa sensorial

Para testar as propriedades mecânicas, os cientistas utilizaram um cubo de diamante microscópico para pressionar as paredes de bigodes individuais de elefantes e gatos. Os testes mostraram que a base dos bigodes de ambas as espécies era rígida como plástico, amolecendo gradualmente até uma ponta mais resiliente, semelhante à borracha.

Esta característica difere do pelo corporal dos elefantes asiáticos, que mantém rigidez uniforme em toda sua extensão.

Comprovação prática da sensibilidade

Para verificar se o gradiente de rigidez realmente influenciava a sensibilidade ao toque, a equipe criou uma versão ampliada de um bigode de elefante usando impressão 3D. Katherine Kuchenbecker, mentora de Schulz no MPI, testou o instrumento enquanto caminhava pelos corredores do instituto.

“Percebi que tocar o corrimão com diferentes partes da varinha de cerda produzia sensações distintas… suave e gentil na ponta, e afiada e forte na base,” disse Kuchenbecker. “Eu não precisava olhar para saber onde o contato estava acontecendo; eu podia simplesmente sentir.”

As simulações computacionais da equipe confirmaram essa hipótese. “O gradiente de rigidez fornece um mapa que permite aos elefantes detectar onde ocorre o contato ao longo de cada cerda,” explicou Schulz. “Esta propriedade ajuda-os a saber quão próxima ou distante sua tromba está de um objeto… tudo incorporado na geometria, porosidade e rigidez da cerda. Engenheiros chamam este fenômeno natural de inteligência incorporada. Sensores bio-inspirados que possuem um gradiente de rigidez artificial semelhante ao do elefante poderiam fornecer informações precisas com pouco custo computacional puramente por design inteligente de material.”

Comparações e questões em aberto

Os bigodes de elefante são provavelmente mais semelhantes aos bigodes de gato, segundo os autores do estudo. No entanto, diferentemente dos bigodes de gato, os do elefante não se movem. Os bigodes crescem em fileiras ao longo de cada lado da superfície da tromba, com quantidade e padrões de organização que variam conforme a espécie.

A descoberta mostra como a tromba do elefante consegue ser simultaneamente flexível para buscar alimentos e rígida o suficiente para manipular objetos delicados. Os bigodes que revestem este órgão desempenham papel fundamental nessa sensibilidade.

Ainda não se sabe exatamente como essa estrutura única dos bigodes de elefante evoluiu ao longo do tempo, nem como ela se compara com os bigodes de outras espécies de elefantes além dos asiáticos estudados. Também permanece desconhecido como os elefantes processam neurologicamente as informações táteis recebidas através dos bigodes.

Além disso, a pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de sensores bio-inspirados que poderiam fornecer informações precisas com baixo custo computacional, baseando-se apenas no design inteligente de materiais.

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