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Como algas viraram plantas? Veja o que diz a ciência

Pesquisadores japoneses identificaram diferenças estruturais entre complexos proteicos de algas marinhas e plantas que explicam evolução vegetal.
Imagem: Unsplash/Reprodução

Cientistas desvendaram um estrutura molecular que possibilitou evolução de algas para plantas terrestres. Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, analisaram diferenças estruturais entre complexos proteicos de algas marinhas e plantas terrestres. O estudo publicado na revista Communications Biology revela detalhes sobre as adaptações moleculares que permitiram às plantas colonizar ambientes terrestres.

A equipe, que inclui a professora associada Ritsuko Fujii, utilizou microscopia crioeletrônica para examinar a estrutura tridimensional do Lhcp, um complexo proteico presente na alga microscópica Ostreococcus tauri, comparando-o com o LHCII encontrado em plantas terrestres.

De acordo com o Phys, esta pesquisa representa um avanço significativo na compreensão da evolução molecular das plantas.

Diferenças moleculares entre algas e plantas terrestres

Os cientistas descobriram que, embora o design básico da estrutura proteica seja semelhante entre o Lhcp das algas e o LHCII das plantas terrestres, existem diferenças estruturais significativas na ligação de pigmentos e nos loops proteicos. Assim, essas variações afetam diretamente como o Lhcp absorve luz e transfere energia.

A pesquisa examinou como os complexos coletores de luz (LHC) funcionam de maneira diferente em algas marinhas primitivas e plantas terrestres. Estes complexos são fundamentais para a fotossíntese, processo pelo qual organismos convertem luz solar em energia.

Adaptações para ambientes marinhos profundos

Os dados obtidos revelam que a arquitetura do trímero do Lhcp é estabilizada tanto por interações pigmento-pigmento quanto pigmento-proteína. Um carotenoide único disposto na interface entre as subunidades desempenha papel crucial nessa estabilização.

“O carotenoide estabiliza a estrutura e melhora a eficiência da adsorção de luz azul-verde, que é abundante no ambiente de águas profundas”, explicou a professora Fujii.

As algas prasinófitas, entre as primeiras formas de vida fotossintéticas na Terra, desenvolveram órgãos especializados para captar a pouca luz disponível nas profundezas oceânicas. Antes da evolução das plantas, a vida vegetal consistia principalmente dessas algas verdes primitivas que habitavam os mares.

Implicações para o estudo da evolução vegetal

“Compreender essa base molecular pode ser usado para descobrir por que, quando e como as plantas terrestres selecionaram o LHCII em vez do Lhcp durante seu processo evolutivo”, acrescentou a professora Fujii. “Isso pode ser fundamental para entender este importante evento evolutivo.”

Assim, a partir deste estudo, os cientistas pretendem aprofundar a compreensão sobre o processo evolutivo que levou à transição das algas marinhas para plantas terrestres.

Porém, ainda não se sabe exatamente quando e como as plantas terrestres selecionaram o LHCII em detrimento do Lhcp durante seu processo evolutivo, mas os pesquisadores acreditam que as semelhanças e diferenças identificadas podem ser mudanças-chave que permitiram às plantas deixar os oceanos e colonizar a terra.

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