Telescópio James Webb flagra planeta “super fofo” do tamanho de Júpiter
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) identificou o exoplaneta WASP-107b perdendo sua atmosfera para o espaço em um ritmo acelerado. Além disso, o que chama atenção no planeta é que ele tem quase o mesmo tamanho de Júpiter, com 94% do diâmetro do gigante gasoso, mas sua massa é de apenas 12% a do planeta do nosso Sistema Solar. Esta densidade extremamente baixa e tamanho grande colocam o WASP-107b na categoria “super-puff” (ou “super fofo”) de exoplanetas.
A revista Nature Astronomy publicou a descoberta na última quarta-feira (3). Os cientistas observaram uma extensa pluma de hélio se desprendendo do planeta. Ela ocupa uma área aproximadamente cinco vezes maior que o diâmetro do próprio corpo celeste.
As observações mostraram que o gás se desloca à frente do planeta em sua órbita. Esta é a primeira vez que o telescópio Webb documenta a fuga de hélio deste planeta específico. De acordo com o LiveScience, tais descobertas podem ampliar o entendimento sobre o comportamento atmosférico de exoplanetas, principalmente em sistemas estelares com condições extremas como o WASP-107.
A proximidade excessiva entre o WASP-107b e sua estrela hospedeira é a principal causa da perda atmosférica. Os pesquisadores acreditam que o planeta se formou inicialmente em uma região mais afastada e posteriormente migrou para sua posição atual, possivelmente devido à influência gravitacional de outro corpo celeste no mesmo sistema.
Astrônomos identificaram o WASP-107b em 2017 a cerca de 210 anos-luz da Terra. Ele orbita sua estrela a uma distância sete vezes menor que a separação entre Mercúrio e o Sol. Esta proximidade extrema contribui significativamente para a perda atmosférica observada.
Detalhes das observações do Webb
As observações do James Webb revelaram que a nuvem de hélio da atmosfera do exoplaneta passa na frente da estrela hospedeira. Isso aproximadamente 1,5 hora antes do próprio planeta. Os cientistas também identificaram diversos elementos na composição atmosférica do WASP-107b.
A presença de oxigênio em quantidade superior ao esperado para um planeta formado próximo à sua estrela reforça a teoria de migração planetária. Além disso, o telescópio também detectou água, confirmando observações anteriores realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble, além de monóxido de carbono, dióxido de carbono e amônia.
Por outro lado, os pesquisadores não encontraram metano na atmosfera do WASP-107b. Isso apesar de sua presença ser prevista com base na química do planeta. Como os instrumentos do JWST são suficientemente sensíveis para detectar este composto à distância, a equipe ainda não consegue explicar completamente esta ausência.
“WASP-107c, muito mais distante que WASP-107b, pode ter desempenhado um papel nesta migração,” afirmou Caroline Piaulet-Ghorayeb, pesquisadora de exoplanetas atualmente na Universidade de Chicago, nos EUA.
A equipe de pesquisa sugere que outros gases com pouco metano podem ter sido trazidos das camadas profundas da atmosfera do planeta devido a um processo de “mistura vertical vigorosa” impulsionado pelo calor da estrela.
De acordo com os cientistas da Universidade de Genebra, na Suíça, estudar mundos como WASP-107b pode ajudar a compreender como funciona o escape atmosférico em planetas como Vênus, que perdeu água ao longo de bilhões de anos.
