Variar os tipos de exercício pode ser tão importante quanto aumentar o tempo de treino. Um estudo publicado na revista BMJ Medicine acompanhou mais de 100 mil pessoas por mais de três décadas e encontrou uma associação entre diversidade de atividades físicas e menor risco de morte.
A pesquisa sugere que o benefício não cresce para sempre conforme a pessoa treina mais. Os ganhos parecem se estabilizar depois de certo ponto, o que indica uma espécie de “dose ideal” de movimento ao longo da semana.
Não é só treinar mais
A atividade física já se associa a melhor saúde física e mental. Também aparece ligada a menor risco de morte. A dúvida era se diferentes modalidades poderiam trazer vantagens próprias.
Para investigar isso, pesquisadores analisaram dados de dois grandes estudos de longo prazo: o Nurses’ Health Study, com 121.700 mulheres, e o Health Professionals Follow-Up Study, com 51.529 homens.
Os participantes responderam questionários a cada dois anos. Eles informaram hábitos de vida, histórico de saúde e tipos de exercício praticados.
O que entrou na conta
A lista de atividades incluiu caminhada, corrida, trote, ciclismo, bicicleta ergométrica, natação, remo, calistenia, tênis, squash e racquetball.
Pesquisas posteriores acrescentaram musculação, exercícios de resistência, yoga, alongamento, tonificação e tarefas ao ar livre. Além disso, o levantamento também considerou atividades como jardinagem, manutenção, cavar, cortar e subir escadas.
Para medir o gasto energético, os cientistas usaram a pontuação MET. Essa métrica compara quanta energia uma atividade exige em relação ao repouso.
O “ponto ideal” do movimento
A análise incluiu 111.467 participantes para atividade física total e 111.373 para variedade de atividades.
Durante mais de 30 anos de acompanhamento, 38.847 participantes morreram. Desse total, 9.901 mortes ocorreram por doença cardiovascular, 10.719 por câncer e 3.159 por doença respiratória.
Além disso, níveis mais altos de atividade física se associaram a menor risco de morte por qualquer causa. Porém, a relação não apareceu como uma linha reta. O benefício pareceu se estabilizar em torno de 20 horas MET por semana.
Ou seja, fazer mais ajuda até certo ponto. Depois disso, o ganho adicional tende a diminuir.
Caminhada, escadas e musculação aparecem bem
A caminhada teve uma das associações mais fortes. Quem caminhava mais apresentou risco 17% menor de morte em comparação com quem caminhava menos.
Subir escadas apareceu ligado a risco 10% menor. Tênis, squash ou racquetball tiveram associação com redução de 15%. Remo ou calistenia apareceram com 14%.
Musculação, exercícios de resistência e corrida se associaram a risco 13% menor. O trote apareceu com 11%. Por outro lado, o ciclismo teve associação menor, de 4%.
A variedade fez diferença
O ponto mais chamativo foi a diversidade. Depois de ajustar o volume total de exercício, quem fazia mais tipos de atividade teve risco 19% menor de morte por qualquer causa.
Esse grupo também apresentou risco 13% a 41% menor de morte por doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias e outras causas.
O estudo, porém, é observacional. Ele não prova causa e efeito. Além disso, os exercícios foram informados pelos próprios participantes, o que pode gerar imprecisões.
Mesmo assim, a mensagem prática é que uma rotina com caminhada, força, atividades intensas e movimentos mais leves pode oferecer mais do que repetição de um único treino. Para a saúde no longo prazo, variar o movimento pode ser parte essencial da estratégia.
