Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos detectaram a circulação da variante BA.3.2 do coronavírus em território norte-americano. Apelidada de “Cicada”, os cientistas identificaram a cepa pela primeira vez na África do Sul em novembro de 2024. O programa de vigilância genômica do CDC registrou o primeiro caso no país em junho de 2025, em um viajante proveniente dos Países Baixos.
A variante foi encontrada em 25 estados norte-americanos. O CDC coletou amostras em swabs nasais de quatro viajantes, três amostras de águas residuais de aviões, cinco amostras clínicas de pacientes e 132 amostras de águas residuais. As informações constam no relatório publicado em 19 de março no Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade do CDC.
De acordo com a Scientific American, a BA.3.2 possui entre 70 e 75 mutações na sequência genética de sua proteína spike.O vírus utiliza essa proteína para infectar células humanas. As mutações ocorreram em comparação com as cepas incluídas nas vacinas contra COVID do outono passado: a variante JN.1 e sua descendente LP.8.1.
Covid Cicada
Especialistas temem que as mutações permitam ao vírus escapar de parte da imunidade adquirida por vacinação ou infecção prévia por Covid. Estudos laboratoriais demonstraram que a “Cicada” conseguiu evadir anticorpos.
A variante representa menos de 0,2% das sequências coletadas entre 1º de dezembro de 2025 e 11 de fevereiro de 2026 nos Estados Unidos. Até fevereiro, havia sido detectada em 23 países, segundo o relatório do CDC.
A Covid causou entre 390 mil e 550 mil hospitalizações durante a temporada de vírus respiratórios de 2024-2025, de acordo com dados do CDC. O número de mortes no mesmo período ficou entre 45 mil e 64 mil. Entre 1º de outubro de 2025 e 21 de março de 2026, estimativas preliminares apontam entre 110 mil e 210 mil hospitalizações e entre 12 mil e 37 mil.
Os autores do relatório do CDC afirmam que a capacidade da variante de evadir anticorpos em laboratório está “destacando a necessidade de vigilância genômica contínua e avaliações observacionais da eficácia de vacinas e antivirais”.
Porém, o grau exato de resistência da variante às vacinas atuais e aos antivirais disponíveis em situações reais ainda não está claro. Por isso, o monitoramento da BA.3.2 deve continuar para avaliar seu impacto real na saúde pública.
