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Conheça a nova espécie de sapo laranja batizada em homenagem a Lula

Nova espécie de anfíbio minúsculo foi identificada na Serra do Quiriri, na Mata Atlântica, e documentada em estudo publicado na revista PLOS One.
Imagem: Luiz Fernando Ribeiro

Uma nova espécie de sapo laranja minúsculo, a Brachycephalus lulai, foi batizada em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cientistas identificaram ela nas florestas da Serra do Quiriri, na Mata Atlântica brasileira. A descoberta foi documentada em estudo publicado na revista científica PLOS One nesta semana.

A identificação ocorreu durante expedições científicas realizadas por uma equipe internacional liderada por pesquisadores brasileiros. Inicialmente, os cientistas localizaram o anfíbio por meio de seu canto de acasalamento único. Assim, ele apresenta características distintas de outras espécies conhecidas de Brachycephalus na região.

Porém, para confirmar que se tratava de uma espécie inédita, a equipe realizou exames de tomografia computadorizada para analisar a estrutura esquelética do animal. Além disso, análises de DNA comprovaram cientificamente que o Brachycephalus lulai é uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Esta descoberta integra um esforço contínuo de catalogação da biodiversidade brasileira. Isso porque, dos oito milhões de espécies animais estimadas no planeta, os cientistas descobriram apenas dois milhões até o momento, o que evidencia a importância deste tipo de pesquisa.

Brachycephalus lulai

O Brachycephalus lulai pertence à família Brachycephalus, que inclui alguns dos vertebrados quadrúpedes mais pequenos do mundo. Estes anfíbios vivem entre a camada de folhas no solo da floresta.

A Serra do Quiriri, no sul do Brasil, é o habitat natural desta nova espécie. A região abriga florestas características de altitudes entre 1.000 e 2.500 metros, com uma camada de nuvens no nível do dossel durante todo o ano. Este ecossistema é conhecido por abrigar sapos e rãs micro-endêmicos, encontrados apenas em áreas restritas da floresta.

Os exemplares do Brachycephalus lulai têm dimensões extremamente reduzidas. Os machos medem entre 8,9 e 11,3 milímetros. As fêmeas são ligeiramente maiores, com comprimento entre 11,7 e 13,4 milímetros. Além disso, o corpo do anfíbio possui coloração laranja vibrante com manchas verdes e marrons características, que o distinguem de outras espécies.

As análises genéticas revelaram que este sapo está mais proximamente relacionado a duas outras espécies que vivem na Serra do Quiriri. O Brachycephalus lulai é a 22ª espécie conhecida deste gênero. Desde 1988, quando os cientistas descobriram a primeira espécie de Brachycephalus no sul do Brasil, uma média de uma nova espécie tem sido identificada a cada ano e meio nesta região.

Diferentemente de muitos anfíbios ameaçados, o Brachycephalus lulai encontra-se relativamente protegido em seu habitat natural, que é de difícil acesso. Porém, os pesquisadores destacam a importância do monitoramento contínuo para detectar quaisquer novas ameaças.

Conversação da biodiversidade

Após a descoberta, os cientistas propuseram medidas de conservação específicas para proteger não apenas o Brachycephalus lulai, mas também outras espécies endêmicas da região.

“Por meio desta homenagem, buscamos incentivar a expansão de iniciativas de conservação focadas na Mata Atlântica como um todo. E nas rãs miniaturizadas altamente endêmicas do Brasil em particular,” escreveram os pesquisadores no estudo.

“Propomos a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra do Quiriri para proteger esta e outras espécies endêmicas, sem exigir a aquisição governamental de terras privadas,” de acordo com os pesquisadores.

“A nova espécie ocorre em florestas altamente preservadas que são muito difíceis de acessar, o que significa que não está ameaçada de extinção,” afirmam os pesquisadores. Aliás, é uma das poucas espécies de Brachycephalus que não estão ameaçadas.

Aliás, o Dr. Marcos R. Bornschein, que descobriu a primeira espécie de Brachycephalus como estudante no sul do Brasil em 1988, comentou: “Isso é aproximadamente uma nova espécie a cada ano e meio. É um grande privilégio ver o quanto a ciência avançou a partir de uma modesta descoberta inicial, mas não devemos presumir que todas as descobertas já foram feitas. Assim, acredito que até oito a dez novas espécies desses notáveis sapos ainda podem ser descritas no sul do Brasil nos próximos 10 a 15 anos.”

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