_Ciência

Uma placa sob o oceano pode estar se partindo

Imagens sísmicas revelam a placa Juan de Fuca se fragmentando enquanto mergulha sob a América do Norte.

Uma placa sob o oceano pode estar se partindo

Cientistas observaram, pela primeira vez com clareza, uma zona de subducção se desfazendo sob o fundo do oceano. A descoberta envolve a placa Juan de Fuca, que mergulha sob a América do Norte na região de Cascadia.

O estudo, publicado na revista Science Advances, importa porque essas zonas geram alguns dos terremotos e tsunamis mais fortes do planeta.

A crosta não está quebrando de uma vez

Zonas de subducção surgem quando uma placa tectônica afunda sob outra. Esse movimento recicla crosta antiga, move continentes e alimenta vulcões.

Mas esse sistema não dura para sempre. Brandon Shuck, professor da Universidade Estadual da Louisiana, nos EUA, comparou o processo a um trem.

“Começar uma zona de subducção é como tentar empurrar um trem morro acima”, disse Shuck ao Science Daily. Depois que ela engrena, parar o sistema exige algo drástico, como um acidente.

No caso de Cascadia, esse “acidente” ocorre em câmera lenta. Isso porque a placa não entra em colapso total. Ela rasga em partes, como vagões saindo dos trilhos um por um.

Um ultrassom do interior da Terra

A equipe usou dados do experimento CASIE21, realizado em 2021 no navio de pesquisa Marcus G. Langseth. O grupo enviou ondas sonoras ao fundo do mar e registrou os ecos.

A técnica funciona como um ultrassom da Terra. Em vez de revelar órgãos, ela mostra falhas, fraturas e estruturas escondidas sob o oceano.

Para isso, os cientistas usaram um conjunto de sensores submarinos com 15 quilômetros de extensão. As imagens revelaram cortes profundos na placa Juan de Fuca.

Falhas enormes e trechos silenciosos

Os pesquisadores identificaram grandes rasgos na placa. Aliás, um deles inclui uma falha onde o bloco afundou cerca de 5 quilômetros.

De acordo com Shuck, essa falha ainda não separou totalmente a placa, mas chegou perto disso. Dados de terremotos reforçam essa interpretação.

Ao longo de um rasgo de 75 quilômetros, algumas áreas ainda geram tremores. Outras ficaram estranhamente silenciosas.

Esse silêncio pode indicar que partes da placa já se soltaram. Quando as rochas deixam de travar umas nas outras, elas também deixam de produzir terremotos naquele ponto.

O que isso muda para os terremotos?

Por enquanto, a descoberta não muda de forma grande o risco geral em Cascadia. A região ainda pode gerar terremotos muito fortes e tsunamis.

Mesmo assim, o achado melhora os modelos usados para entender como a energia sísmica se espalha. A dúvida agora é se uma grande ruptura atravessaria esses rasgos, ou se eles funcionariam como barreiras.

A descoberta também ajuda a explicar restos antigos de placas, como fragmentos da placa Farallon perto da Baixa Califórnia. Assim, Cascadia pode mostrar, ao vivo, como esses fósseis tectônicos nasceram.

Sair da versão mobile