A NASA colocou em órbita o observatório espacial Pandora, dedicado ao estudo de atmosferas de exoplanetas. O lançamento aconteceu no último domingo (11), a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, nos EUA. A pequena espaçonave integrou uma missão que transportou 40 satélites de sete países diferentes.
O foguete Falcon 9 da SpaceX, utilizado no lançamento, completou com sucesso sua missão, com o primeiro estágio retornando à plataforma LZ-4 em menos de oito minutos após a decolagem.
A agência direcionou a espaçonave para uma órbita sincronizada com o Sol, com inclinação de 98°. Esta configuração orbital permitirá observações prolongadas e ininterruptas das estrelas-alvo, além de garantir alimentação contínua através dos painéis solares do observatório.
Missão de baixo custo com grandes objetivos científicos
A Pandora, construída pela Blue Canyon Technologies e operada pela NASA, faz parte do programa Astrophysics Pioneers da agência espacial. Selecionada para desenvolvimento em 2021, a missão segue o limite orçamentário de US$ 20 milhões para chegar à plataforma de lançamento, demonstrando uma abordagem econômica para pesquisas espaciais.
Durante sua missão nominal de um ano, o observatório estudará 20 estrelas diferentes que abrigam mundos alienígenas conhecidos. Assim, o objetivo é medir 10 trânsitos de cada exoplaneta, coletando dados sobre suas atmosferas.
“A Pandora visa estudar atmosferas de exoplanetas na presença de estrelas conhecidas por terem variações em suas superfícies,” explica Ben Hord, da NASA. “Essas variações na superfície estelar podem afetar nossa capacidade de medir e interpretar espectros de atmosferas planetárias, já que os sinais das variações nas superfícies estelares às vezes mascaram e imitam os sinais de compostos como água nas atmosferas dos exoplanetas.”
Alvos de observação e complementaridade com outras missões
A Pandora observará os seguintes exoplanetas: GJ 3090 b, GJ 3470 b, HAT-P-11 b, HAT-P-12 b, HAT-P-18 b, HAT-P-26 b, HD 73583 b, L 98-59 c, TOI-2076 b, TOI-244 b, TOI-270 d, TOI-3629 b, TOI-3884 b, TOI-674 b, TOI-942 b, TOI-942 c, WASP-107 b, WASP-52 b, WASP-69 b e WASP-80 b.
Aliás, dos 20 alvos principais da missão, 16 já foram observados pelo Telescópio Espacial James Webb.
“Ao observar exoplanetas e suas estrelas hospedeiras simultaneamente em múltiplos comprimentos de onda de luz várias vezes ao longo de um ano, a Pandora será capaz de separar os sinais produzidos pelas características da superfície das estrelas hospedeiras dos sinais feitos por compostos químicos, como água, nas atmosferas dos exoplanetas,” acrescenta Hord.
A Pandora passará por um período de comissionamento de um mês antes de iniciar suas observações científicas. Posteriormente, a agência disponibilizará os dados coletados cinco meses após sua aquisição. Eles também estarão hospedados livremente no IPAC, no Arquivo de Exoplanetas da NASA.
Além disso, a missão poderá indicar alvos para futuras observações com o Telescópio Espacial James Webb e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, por exemplo. Este último com lançamento está programado para ocorrer ainda em 2026.
