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Calor pode derrubar metade dos insetos da Amazônia

Estudo internacional analisou mais de 2 mil espécies em regiões tropicais e identificou limitações na capacidade de adaptação ao aumento das temperaturas globais.

Metade dos insetos da Amazônia pode sofrer estresse térmico crítico

Uma pesquisa internacional analisou mais de 2.000 espécies de insetos em regiões tropicais da África e América do Sul. O trabalho identificou limitações na capacidade desses animais de se adaptarem ao aumento das temperaturas globais. No caso da região Amazônica, os cientistas estimam que metade da população de insetos pode ser afetado pelo estresse climático. A revista Nature em 2026 publicou os resultados.

Os insetos correspondem a aproximadamente 70% de todas as espécies animais conhecidas. A maioria deles habita regiões tropicais do planeta. De acordo com o ScienceDaily, a equipe de cientistas examinou os limites de tolerância à temperatura de mais de 2.000 espécies de insetos, revelando assim um panorama preocupante sobre a capacidade de adaptação desses organismos às mudanças climáticas.

Pesquisa alarmante

Os cientistas realizaram o trabalho de campo em 2022 e 2023. Os pesquisadores coletaram dados em diferentes elevações no leste da África e na América do Sul. Dessa forma, as áreas estudadas incluíram florestas montanhosas frias, florestas tropicais quentes e savanas de planície.

A Dra. Kim Holzmann, da Cátedra de Ecologia Animal e Biologia Tropical da Universidade Julius-Maximilians de Würzburg (JMU), e pelo Dr. Marcell Peters, ecologista animal da Universidade de Bremen, na Alemanha, conduziram a pesquisa. Além disso, o estudo contou com apoio da Fundação Alemã de Pesquisa.

“As avaliações atuais da tolerância ao calor de insetos como mariposas, moscas e besouros pintam um quadro diferenciado e ao mesmo tempo alarmante”, afirma a Dra. Kim Holzmann.

A pesquisadora explica que os insetos não simplesmente ajustam sua tolerância ao calor para corresponder ao ambiente. “Enquanto espécies em altitudes mais elevadas podem aumentar sua tolerância ao calor, pelo menos no curto prazo, muitas espécies de planície carecem amplamente dessa capacidade”, diz Holzmann.

Risco aos insetos

Os cientistas mediram os limites de temperatura suportados pelos insetos. A equipe também analisou os genomas de muitas espécies para investigar a estabilidade das proteínas. O objetivo era compreender por que certos grupos de insetos toleram melhor o calor do que outros.

O Dr. Marcell Peters afirma que o aumento das temperaturas pode afetar significativamente as populações de insetos. “O aumento das temperaturas pode ter um impacto massivo nas populações de insetos, especialmente em regiões com a maior biodiversidade do mundo”, diz Peters. “Como os insetos cumprem funções centrais nos ecossistemas como polinizadores, decompositores e predadores, há uma ameaça de consequências de longo alcance para ecossistemas inteiros.”

Os pesquisadores descobriram grandes diferenças entre grupos de insetos em relação à tolerância ao calor. Essas variações parecem estar ligadas à estrutura e à estabilidade térmica das proteínas dentro de seus corpos.

“Essas propriedades são relativamente conservadas na árvore genealógica evolutiva dos insetos e só podem ser alteradas em uma extensão limitada”, explica Peters. “Os resultados sugerem que características fundamentais da tolerância ao calor estão profundamente enraizadas na biologia e não podem ser rapidamente adaptadas a novas condições climáticas.”

Porém, a perspectiva para a região amazônica é especialmente preocupante. “Se os ecossistemas globais continuarem a se aquecer sem controle, as temperaturas futuras esperadas levarão a estresse térmico crítico para até metade das espécies de insetos lá”, afirma a bióloga da JMU.

Dessa forma, essa situação pode gerar consequências de longo alcance para ecossistemas inteiros. Isso porque os insetos desempenham funções centrais como polinizadores, decompositores e predadores.

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