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Amazônia pode ficar irreconhecível em 100 anos

Cientistas alertam que fogo, seca e desmatamento podem transformar a Amazônia nas próximas décadas.

Amazônia pode ficar irreconhecível em 100 anos

A Amazônia pode mudar de forma profunda nos próximos 100 anos se desmatamento, fogo e aquecimento global continuarem avançando. A maior floresta tropical do mundo regula ciclos de água, armazena carbono, sustenta 47 milhões de pessoas e abriga a maior concentração de biodiversidade do planeta.

O risco não fica restrito à floresta

A Amazônia cobre mais de 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Seu funcionamento interfere nas chuvas da América do Sul e no equilíbrio climático global.

O problema é que 17% da floresta já sofreu corte ou destruição. Boa parte dessa área virou agricultura. Extração de petróleo, garimpo ilegal, abertura de estradas e avanço do crime organizado pressionam o território.

O próximo século pode definir se a floresta mantém sua função atual ou entra em um processo difícil de reverter.

Menos floresta pode significar menos chuva

Ao Live Science, o pesquisador Bernardo Flores, da EqualSea Lab, aponta três ameaças principais: mudança climática, desmatamento e fogo. Essas forças atuam juntas.

Com menos árvores, a região perde capacidade de manter chuva. Com menos chuva, a floresta seca mais. Com mais seca, o fogo avança com facilidade.

Flores descreve esse ciclo como uma retroalimentação em escala global. Mais perda florestal aumenta o aquecimento. Mais aquecimento acelera a perda florestal.

A mudança climática também pode deixar as estações úmidas mais chuvosas e as secas mais intensas. Esse padrão amplia o estresse sobre árvores, rios, animais e comunidades humanas.

O arco do desmatamento mostra um possível futuro

A chamada fronteira do desmatamento ocupa cerca de 500 mil quilômetros quadrados na borda da Amazônia. Essa área já antecipa como partes da floresta podem ficar.

As árvores morrem mais, enquanto o dossel abre mais clareiras. Cipós lenhosos (chamados lianas) cobrem trechos inteiros e disputam luz e nutrientes com as árvores.

Quando essas lianas dominam, a diversidade de árvores cai. A floresta perde estrutura, sombra e umidade.

Capins invasores ligados à pecuária também podem se espalhar. Já as flores não espera que grandes áreas virem savana nativa. O cenário mais provável envolve ecossistemas degradados, com árvores resistentes ao fogo, gramíneas invasoras, cipós e samambaias.

Animais e povos indígenas sentiriam primeiro

Espécies aquáticas podem sofrer rápido. Secas de um, dois ou três anos podem secar áreas úmidas e torná-las inflamáveis. Isso pode causar extinções locais em pouco tempo.

Para povos indígenas, a destruição atinge território, água, alimento e modo de vida. Christian Poirier, da Amazon Watch, compara o impacto a ter o quintal destruído e a fonte de água envenenada.

O colapso da Amazônia também deixaria o clima global mais instável. Partes da América do Sul poderiam receber menos chuva. O aquecimento global ganharia força.

Ainda existe uma alavanca possível

O pesquisador Arie Staal, da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, afirma que o desmatamento tem uma diferença diante de outros riscos climáticos. Ele pode, em teoria, recuar com reflorestamento.

Isso porque parar o desmatamento e recuperar áreas degradadas ainda pode mudar a trajetória da floresta.

Por isso, a Amazônia de 2126 não está escrita. Porém, ela depende de decisões tomadas agora sobre terra, energia, mineração, fiscalização e recuperação ambiental.

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