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Crânio de 140 mil anos pode ser evidência de humano híbrido, diz estudo

Cientistas acreditam que um fóssil encontrado em Israel pode ser um dos primeiros híbridos entre humanos modernos e neandertais
Imagem: LatinStock/Reprodução

Nas encostas do Monte Carmelo, em Israel, a caverna pré-histórica de Skhul desafia o que os cientistas entendem sobre a evolução da espécie humana. Em 1929, arqueólogos descobriram um fóssil que data de 140 mil anos atrás de uma criança de 3 a 5 anos e o classificaram como Homo sapiens.

Entretanto, agora os cientistas acreditam que este pode ser um dos primeiros híbridos entre humanos modernos e neandertais. De acordo com um novo estudo, publicado na revista L’Anthropologie, analisou o crânio (conhecido como Criança Skhul I) com técnicas avançadas de tomografia computadorizada e reconstrução virtual, revelando uma mistura incomum de traços anatômicos.

Enquanto algumas características, como o labirinto ósseo (estrutura do ouvido interno), são semelhantes às dos humanos atuais, outras como a mandíbula robusta, a ausência de queixo e a forma alongada do osso occipital apontam para os neandertais.

Humano híbrido? Entenda a pesquisa

A região do Levante, onde o fóssil foi encontrado, era um cruzamento de migrações entre África e Eurásia durante o Pleistoceno Médio. “Este era um cenário de fluxo genético entre linhagens distintas, o que pode explicar a morfologia única de Skhul I”, afirmaram os pesquisadores.

A mandíbula, originalmente reconstruída em gesso após a escavação, apresentava traços plesiomórficos, semelhantes aos de neandertais arcaicos. No entanto, a falta de partes do crânio, como a face média e a base, dificultou uma classificação definitiva.

Com a reconstrução digital, a equipe reposicionou a escama frontal (testa) e analisou a junção esmalte-dentina dos dentes, e descobriu que também se alinhava mais com padrões neandertais.

A combinação de características indica que a criança pode ter surgido do cruzamento entre humanos modernos e neandertais. Porém, há um problema: os neandertais conhecidos no Levante são mais recentes que Skhul I.

Isso levanta a possibilidade de a criança pertencer a uma linhagem arcaica ainda não identificada, que compartilhava traços com ambos os grupos.

Onde Homo sapiens e Neandertais “deram match” pela 1ª vez

Uma pesquisa publicada na revista acadêmica Nature em setembro de 2024 descobriu onde os Homo sapiens e os Neandertais se encontraram pela primeira vez. Dessa forma, o evento deu início à reprodução entre as espécies, que começou há cerca de 47 mil anos e durou aproximadamente 6,8 mil anos.

Assim, o estudo revelou que o ponto de encontro entre as espécies foi a Cordilheira de Zagros, região na atual fronteira entre Irã e Iraque.

De acordo com o artigo, liderado pelo arqueólogo Saman Guran, da Universidade de Colônia, na Alemanha, as Montanhas Zagros podem ter atuado “como um corredor, facilitando a dispersão dos Homo sapiens para o norte e dos neandertais para o sul”.

Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.