Misturar álcool e cannabis comestível pode prejudicar a direção mais do que usar apenas uma das substâncias. A conclusão vem de uma pesquisa da Johns Hopkins Medicine com adultos saudáveis, publicada na JAMA Network.
O que muda para quem dirige
O alerta importa para quem usa produtos com THC e bebe socialmente. A combinação pode deixar a pessoa mais intoxicada e comprometer a direção por mais tempo.
O ponto mais sensível envolve a fiscalização. Testes comuns de sobriedade em campo detectaram intoxicação apenas na condição de álcool mais alta, com 0,08% de álcool no ar expirado.
Esse é o limite legal usado na maior parte dos Estados Unidos. O estudo sugere que esse número pode não refletir bem o risco quando álcool e cannabis aparecem juntos.
Como o teste funcionou
A pesquisa avaliou adultos entre 21 e 55 anos. Trinta voluntários participaram, e 25 completaram todas as etapas.
Todos tinham usado álcool e cannabis juntos no ano anterior. Eles também relataram episódios de consumo excessivo de álcool nos 90 dias anteriores.
Os pesquisadores selecionaram pessoas com uso relativamente baixo de cannabis, inferior a três vezes por semana. A ideia era reduzir o efeito da tolerância ao THC.
Antes dos testes, os voluntários passaram por avaliações médicas, psiquiátricas, exames físicos, análises de sangue e testes de urina.
Brownie com THC, álcool e simulador
Dea acordo com o ScienceDaily, cada participante fez sete sessões experimentais. Em cada uma, recebeu um brownie com THC, nas doses de 10 mg ou 25 mg, ou um brownie placebo.
Eles também tomaram uma bebida alcoólica ou uma bebida placebo. As doses de álcool foram ajustadas para atingir 0,05% ou 0,08% no teste respiratório.
Os participantes treinaram antes no simulador de direção. Isso reduziu o risco de melhora artificial apenas por familiaridade com o equipamento.
Durante as sessões, os pesquisadores repetiram testes de direção simulada, cognição, coordenação motora, sensação subjetiva de efeito e amostras de sangue.
As avaliações seguiram por até 7,5 horas após o consumo do brownie. Cada sessão ficou separada por pelo menos uma semana.
O problema não foi apenas somar efeitos
A combinação de cannabis comestível e álcool gerou prejuízo mais intenso e prolongado na direção. Os participantes também relataram maior sensação de intoxicação.
Austin Zamarripa, autor principal do estudo, afirmou que o uso conjunto produziu mais comprometimento e mais intoxicação subjetiva do que cada substância isolada.
Ele disse que a interação “pode ser sinérgica”. Isso significa que o efeito combinado pode ultrapassar uma simples soma entre álcool e THC.
Por que os testes falharam
Os testes de sobriedade identificaram intoxicação significativa apenas com álcool a 0,08%, na comparação com placebo.
O comprometimento ligado à cannabis, sozinha ou combinada com álcool, passou despercebido com frequência.
Tory Spindle, investigador principal do estudo, afirmou que doses típicas de comestíveis vendidas no varejo, somadas a pouco álcool, podem prejudicar a direção tanto quanto álcool no limite legal.
O que observar daqui para frente
A pesquisa reforça que quem consumir comestíveis de cannabis não deve dirigir, principalmente se também beber.
O estudo também pressiona reguladores e autoridades de saúde nos EUA. A legalização da cannabis amplia o acesso a comestíveis, mas a fiscalização ainda depende de ferramentas limitadas.
O próximo passo envolve métodos melhores para medir prejuízo real na direção. Isso inclui testes biológicos e comportamentais capazes de detectar o efeito do THC com mais precisão.
