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Café expresso ou coado: qual tem mais cafeína?

Você sabia que o consumo de café no Brasil representa 13% da demanda mundial?
Imagem: GC Libraries Creative Tech Lab/Unsplash/Reprodução

Existe uma crença popular de que o café expresso é “mais forte” e, por isso, contém mais cafeína que o coado que fazemos normalmente em casa. Mas a verdade é que não é tão simples assim: enquanto o expresso tem maior concentração de cafeína por volume, o café coado geralmente oferece mais cafeína por porção consumida.

Um dos fatores que mais influenciam o quanto de cafeína tem uma xícara de café é a espécie do grão. As duas principais espécies de café — Arábica e Robusta (Canephora) — apresentam diferenças significativas no teor de cafeína.

Os grãos Arábica, que são os preferidos dos consumidores brasileiros por sua complexidade aromática, contêm cerca de metade da cafeína encontrada nos grãos Robusta.

A moagem do café também pode influenciar na quantidade de cafeína que acaba indo na xícara. Uma moagem mais fina (como no caso do café expresso) aumenta a superfície de contato com a água, facilitando uma extração mais rápida e intensa de cafeína e sabores.

Um “shot” duplo de expresso (60 ml) contém aproximadamente 80 mg de cafeína, enquanto uma xícara padrão de café coado (240 ml) pode variar entre 120 mg e 200 mg de cafeína.

E o café tipo extraforte?

Além das espécies de café Arábica e Robusta, no mercado é possível encontrar das principais marcas o café “tipo extraforte”. O café classificado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) como extraforte tem uma torra mais intensa, chegando a pontos quase carbonizados. Isso deixa a bebida com um sabor particularmente amargo e adstringente.

Contrariando a crença popular, o café extraforte não tem mais cafeína. Na verdade, é o contrário, já que esse processo de torra intensa reduz o conteúdo de cafeína do grão.

Torras mais claras tendem a preservar mais cafeína, enquanto as torras escuras, associadas ao café extraforte, diminuem sua quantidade.

Riscos do consumo exagerado

Apesar de ser um hábito comum nos brasileiros – o consumo de café no Brasil, por exemplo, representa 13% da demanda mundial – o cafezinho pode viciar e causar riscos para a saúde.

O café tem interferência direta na qualidade do sono, já que a cafeína é antagonista nos receptores da adenosina. A substância se acumula no cérebro quando estamos acordados, e é responsável pelo aumento da vontade de dormir.

O consumo excessivo de café pode causar insônia ou sono interrompido, nervosismo, aumento da frequência cardíaca e problemas gastrointestinais.

Também é preciso tomar cuidado para não ter uma “overdose” de café. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não estabelece um limite diário específico para o consumo de café.

No entanto, agências internacionais de segurança alimentar reconhecem que o consumo de até 400 mg de cafeína por dia é geralmente considerado seguro para adultos saudáveis, o que equivale a cerca de 4 xícaras de café coado.

Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.